domingo, 15 de janeiro de 2012

A Hora Do Espanto 2 (1988)




Em 1985,os filmes de vampiros estavam fora de moda. O último lançamento significativo do gênero até a época tinha sido o remake de Nosferatu dirigido por Werner Herzog em1977. Até que a Columbia Pictures resolveu bancar o filme de estreia como diretor de Tom Holland,que antes havia trabalhado como roteirista de Psicose II (Psycho II,1980) e Os herois Não Têm Idade (Cloak and Dagger,1984). E então,que envolto por uma grande campanha de marketing,A Hora do Espanto (Fright Night) teve uma das mais bem-sucedidas estreias do gênero terror,conseguindo se pagar ainda no primeiro fim de semana de exibição.



Mas sobre A Hora do Espanto eu já falei anteriormente. Agora vamos para 3 anos depois de sua estreia. Depois do grande sucesso de A Hora do Espanto,o sub-gênero dos Filmes De Vampiros voltou à moda e gerou muito lucro a grandes e pequenos estúdios. A Columbia Pictures,obviamente,não iria deixar que uma nova oportunidade de lucrar escapasse de suas mãos,então contratou os roteiristas Tim Metcalfe e Miguel Tejada-Flores (mais conhecidos por terem escrito o roteiro da comédia A Vingança dos Nerds),para juntos do diretor contratado Tommy Lee Wallace (Halloween III,It: Uma Obra-Prima do Medo),escreverem o roteiro de A Hora do Espanto 2 (Fright Night Part 2). Depois,a Columbia cedeu os direitos de divulgação para sua divisão menor,a Tristar,que para fazer tudo com um preço mais camarada empurrou a produção para sua divisão ainda menor,a The Vista Organization.

Desde os acontecimentos do filme anterior,Charley Brewster (William Ragsdale) estava fazendo terapia com o Dr.Harrison (Ernie Sabella,a voz original do Pumba de O Rei Leão),e no último dia de terapia relata todos os acontecimentos que presenciou. Depois,acaba sendo convencido pelo Dr.Harrison que Jerry Dandridge era um assassino e sequestrador que havia manipulado a mente de Evil Ed e Amy,e é encorajado a reencontrar Peter Vincent (Roddy McDowall,novamente ótimo). Ele faz isso,e resolve ir junto com sua nova namorada Alex Young (Traci Lin,uma jovem promessa dos anos 80 que depois sumiu do mapa) até o estúdio de TV onde Peter grava o programa A Hora do Esapanto. Após uma agradável conversa no apê do Peter,Charley fica muito cabreiro quando vê pela janela a mesma coisa que o havia assustado há 3 anos: pessoas carregando caixôes. Logo depois ele avista a sedutora Regine (Julie Carmen) e sua turma do barulho,composta por Bozworth (Brian Thompson,de Stallone Cobra),um ser comedor de moscas;Louie (Jonathan Gries),um lobisomem meio doido das ideias;e Belle (Russell Clark) uma vampira que anda de patins e é feia de doer. Charley fica encantado por Regine,e depois acredita que ela visitou seu apartamento e o mordeu,e,preocupado,começa a seguir a mulher. Enquanto presencia sinais de transformação,Charley descobre que Regine é realmente uma vampira,e convida Peter a ir a caça da criatura. Após chegarem a uma festa dada por Regine,Charley é hipnotizado pela anfitriã,que os faz acreditar que ela é na verdade apenas uma atriz performática. Enquanto Charley dá a mancada de esquecer seu compromisso com  a gata da Alex,Peter continua na festa e percebe o comportamento estranho de algumas pessoas presentes,daí então,pega seu clássico espelhinho e não vê o reflexo de muitos lá,inclusive o de Belle e Regine!






Enquanto corre assustado,Peter é surpreendido por Regine,que releva sua busca por vingança,pois é irmã de Jerry Dandridge,que fora morto por Peter e Charley. A partir daí corre uma série de desencontros e situações bestas,mas nada que deixe o filme inassistível,todavia,não são dignos de nota e descrição até mesmo neste humilde bRog. Com uma campanha de marketing capenga e distribuição mais capenga ainda (o lançamento oficial foi em apenas um pouco mais de 100 cinemas nos Estados Unidos),A Hora do Espanto 2 nunca chegou a se pagar,e o que parecia ser um sucesso garantido acabou sendo a quebra da Tristar e a falência da Vista Organization.




Outros fatores,que junto com a distribuição e marketing capengas ajudaram A Hora Do Espanto 2 a fracassar foram o roteiro mal construído,com muito mais furos que o primeiro filme e repleto de situações absurdas,como Regine apresentando A Hora do Espanto no lugar de Peter - ora,se ela é uma vampira,como conseguiram fazer fotos de divulgação e exibir o programa,já que ela não deveria aparecer perante as câmeras? As mortes são muito sem sal e rápidas,como se o roteiro tivesse pressa em matar os capangas de Regine para chegar logo no embate final,então pra quê tanto personagem? Tem tanta gente lá que se esquecem até de Charley - ;e o orçamento da produção,que parece ter sido menor que o do filme original.


 Por outro lado,vale ressaltar os pontos positivos da produção. Primeiramente,temos Roddy McDowall de volta como Peter Vincent,o "corajoso matador de vampiros",e William Ragsdale como Charley Brewster,embora seja muito pouco aproveitado na continuação,abrindo espaço para Traci Lin. Julie Carmen como Regine também não deixa a desejar,uma vilã tão boa quanto Jerry foi. Os efeitos visuais nas mãos de Gene Warren,Jr. (responsável pelos efeitos de O Exterminador do Futuro) são tão bem trabalhados quanto os de Richard Edlund para o filme original,embora pouco menos originais.

Bem,entre erros e acertos,A Hora do Espanto 2 ainda pode ser considerado uma boa diversão,uma digna continuação e que ainda está na memória afetiva de muitos oitentistas,que não se preocupam com vampiros aparecendo em câmeras de TV. Acho até que nem eu deveria ligar pra isso. É,pode ser. Enfim,caçem esse clássico cult por aí,mas vai dar um pouco de trabalho,pois ele só está disponível no Brasil em VHS,que hoje é ultra raro. Ou então economiza e compra o DVD importado,que também é raro mas é bem mais fácil de achar,e... divirta-se,afinal,como eu já disse,em tempos de Crepúsculo,Vampire Diaries e filmes satirizando esses dois outros títulos (que costumam ser menos engraçados e ridículos que os filmes que satirizam),é sempre bom topar com um vampiro à moda antiga por aí,contanto que você carregue uma cruz e tenha fé,é claro.





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Fright Night Part 2 (EUA,1988)
Direção: Tommy Lee Wallace
Elenco; Roddy McDowall,William Ragsdale,Traci Lin,Julie Carmen,Ernie Sabella,Merritt Butrick,Brian Thompson,Russell Clark,Jonathan Gries

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Hora Do Espanto (1985)

Não tem jeito. Cada vez mais fico com a sensação de que nasci na época errada,pois deve ter sido muito louco ser adolescente e pegar um filme desses em cartaz. Mas a verdade é que não tem como não gostar de "A Hora Do Espanto"! É uma brilhante comédia de horror com todos os elementos clássicos do Gênero "Filme de Vampiro",perfeito para você mostrar praquele seu sobrinho,sobrinha,primo ou prima,que só conhece Vampiros através de bobagens como a saga "Crepúsculo","True Blood" ou "Vampire Diaries".

 Em "A Hora do Espanto" acompanhamos a história de Charley Brewster (William Ragsdale,de "Manequim"),um adolescente viciado em filmes de Horror,que levava uma vida tranquila com seu amigo Edward "Evil" Thompson (Stephen Geoffreys) e sua namoradinha Amy (Amanda Bearse),até que um dia testemunha um fato estranho na casa ao lado:dois homens carregando um caixão para o porão. A paranoia de Charley só piora quando ele vê seu vizinho se alimentando do sangue de uma moça. O garoto então descobre algo terrível: seu vizinho é um vampiro!
 
Para piorar a situação,a mãe de Charley encanta-se com o Vampiro Galã e o convida para tomar um drink em sua casa. Charley então finalmente conhece o Vampirão,Jerry Dandridge (Chris Sarandon,de "Brinquedo Assassino"). Agora que fora cordialmente apresentado e convidado a entrar na moradia dos Brewsters,Jerry poderá vir para atacar a qualquer momento! No entanto,nem Ed "Evil" (que acaba virando um dos Vampiros) nem Amy acreditam em Charley,e ele pensa no que seria a única solução para o caso:pedir ajuda a Peter Vincent (Roddy McDowall,de "O Planeta dos Macacos",arrebentando),um velho ator de filmes de horror que costumava ser "O Grande Matador de Vampiros" e que agora encontrava-se esquecido e apresentava um programa de TV que transmitia filmes de horror classe Z (mais ou menos como nosso Mojica na época do Cine Trash). Mais tarde,Vincent é convencido a encenar com os amigos de Charley,para tentar acabar com o que eles achavam ser uma paranoia do garoto,porém,o ator descobre que Jerry é um vampiro de verdade e foge apavorado.

 Não demora muito e a situação piora:Primeiro,Jerry transforma Evil em vampiro,e logo depois seduz Amy e a leva para sua mansão. Perdido,Charley vê que a única solução será mesmo ir atrás de Peter Vincent novamente e tentar convencê-lo a derrotar o monstro,tomando como base as coisas que Peter Vincent fazia nos filmes.

 "A Hora do Espanto" é incrível porque conseguiu envelhecer muito bem,apesar das limitações da época. Além disso,conta com um elenco ótimo (especialmente McDowall e Sarandon),com uma trilha oitentista muito boa (com supervisão de Brad Fiedel),fotografia e maquiagem animais e a ótima direção de Tom Holland ("Brinquedo Assassino"). Só quem é muito chato para filmes-minha família,por exemplo-e acha que pra um filme ser bom,tem que ter efeitos,efeitos e mais efeitos é quem não vai curtir. Mas mesmo assim é um ótimo filme e daria uma excelente sessão de DVD com os amigos (juntamente com sua continuação de 1988,dirigida por Tommy Lee Wallace).

 Para quem não viu e ficou curios,vale passar numa Fox Video e alugá-lo. Ou quem quiser,pode esperar até setembro,quando o remake de "A Hora do Espanto" chegar aos cinemas,com Anton Yelchin ("Star Trek") como Charley e Colin Farrell ("Alexandre","Demolidor") como Jerry Dandridge. Óbvio que não superará o original,mas ainda assim,acho que será pelo menos digno dos meus preciosos R$ 7,50.

 Fright Night (EUA,1985)

Direção:Tom Holland
 Elenco:William Ragsdale,Amanda Bearse,Chris Sarandon,Roddy McDowall,Stephen Geoffreys

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Vingador Tóxico (1985)

O cinema independente sempre nos brindou com brilhantes produções. Uma das produtoras independentes mais conhecidas pelo público,a Troma Enteirtainment,sempre despejou (e despeja até hoje) inúmeras produções por ano nas prateleiras de Video-Locadoras,embora a maioria de suas produções permaneçam inéditas por aqui-e perigam jamais serem lançadas pro Brasil.

 Pois foi da Troma-mais especificamente da cabeça dos malucos visionários (e fundadores da produtora) Lloyd Kaufman e Michael Herz-que saiu o filme considerado por muitos (inclusive por mim),o "filme Trash definitivo,o 'Cidadão Kane' dos filmes classe B",o verdadeiro clássico underground "O Vingador Tóxico".

 A história,originalmente batizada de "Health Club",depois rebatizada "Health Club Massacre" e mais tarde,finalmente "The Toxic Avenger",foi idealizada por Kaufman 10 anos antes de sua realização. Segundo o próprio Lloyd Kaufman,em entrevista dada a este humilde blog,ele "achava fascinante o fenômeno 'Rato de Academia' nos anos 80",e sempre sonhou em fazer um filme com essa temática,e a partir disso criou o resto da ideia com seu parceiro Michael Herz. E assim nasceu o maior clássico do cinema Trash.

 O filme conta a história de um franzino faxineiro chamado Melvin (Mark Torgl),que trabalhava na academia de saúde de Tromaville,a capital mundial do Lixo Tóxico. Bobo e desajeitado,Melvin vira sempre motivo de piada nas mãos de Bozo (Gary Schneider,exageradíssimo),Slug(Robert Prichard) e suas namoradas Julie (Cindy Manion) e Wanda (Jennifer Babtist),quatro jovens que se divertem atropelando pessoas indefesas.


 Após ser vítima de uma peça pregada pela turma de malvadões,Melvin acidentalmente cai em tonel de Lixo Tóxico,e uma reação química ultra-bizarra o transforma numa criatura terrivelmente deformada com tamanho e força sobre-humanas,uma espécie de Hulk Trash. Logo Melvin,agora transformado em Monster-Hero,sai pelas ruas de Tromaville em busca de vingança e justiça,combatendo os desordeiros e o crime organizado,que enxergam o herói como uma séria ameaça aos seus planos malignos.

 "O Vingador Tóxico" não causou muito rebuliço na época de seu lançamento,mas com o passar dos anos,seu sucesso nos famosos cinema Grindhouse americanos começou a crescer. De repente, "O Vingador Tóxico" virou praticamente parte da cultura popular americana,rendnedo 3 continuações(além de uma prestes a ser lançada),uma série animada,jogos de videogame,livros e até um musical (e uma das melhores canções do grupo de Punk Rock The Dickies,divulgada no álbum Idjit Savant)!

 O primeiro filme de horror produzido pela Troma (se você desconsiderar "Blood Sucking Freaks",distribuído pela produtora) transformou-a em cult,e a faz conquistar cada vez mais fãs no mundo inteiro. Esta incrível combinação de humor negro,horror,sexo,ação e aventura é a prova inegável de que se pode fazer ótimos filmes com ótimas cenas mesmo com pouca grana. Dependendo é claro da paixão e dedicação de quem o realiza.
 P.S.:Não é um filme para estômagos ou mentes fracas. Se você for procurar pelo filme,um aviso: Contém cenas de extrema violência e crueldade muito loucas...ah,que se foda,ASSISTA!
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 The Toxic Avenger (EUA,1985)
 Direção:Lloyd Kaufman,Michael Herz
 Elenco:Mark Torgl,Andree Maranda,Gary Schneider,Pat Ryan Jr.,Cindy Manion,Jennifer Babtist,Robert Pichard,Marisa Tomei (na versão do diretor)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Flash Gordon (1980)

Antes de George Lucas alcançar a glória com "Star Wars",em 1977,o gênero Sci-Fi andava muito fora de moda,e não justificava gasto de grana pelos grandes estúdios. O gênero havia sido congelado em carbonite lá nos confins da década de 50,quando o interesse sobre esses filmes diminuiu significamente.Após essa tremenda ressaca,surge "Star Wars",e todos os grandes estúdios voltaram a apostar na Ficção Científica:são dessa época os filmes "O Abismo Negro" e "Jornada Nas Estrelas-O Filme". E até os nossos Trapalhões tiraram uma casquinha desse fenômeno,produzindo a bagaceira "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas",ou como é conhecido lá fora,"Brazillian Star Wars"

 Vendo essa onda toda,o lendário produtor Dino DeLaurentiis resolveu ressucitar um antigo herói das cinesséries espaciais,Flash Gordon,personagem criado por Alex Raymond nos anos 1930,que havia caído no esquecimento. Após descordar da visão de George Lucas para o filme,DeLaurentiisdispensou o cineasta-especula-se-e começou a produção na marra,partindo do roteiro de Lorenzo Semple Jr.

 O filme começa nos mostrando uma expedição rotineira na nave do terrível e impiedoso Imperador Ming (Max von Sydow,o eterno Padre Merrin,de "O Exorcista"),onde seu fiel escudeiro Klytus (Peter Wyngarde)lhe mostar o nosso Planeta Terra. Ao decidir por pura e simples maldade (não se fazem mais vilões como antigamente...)destruir a Terra,começa a interferir na natureza local,causando catástrofes naturais e provocando eclipses.

 Até que conhecemos nosso herói,Flash Gordon (o canastrão Sam J. Jones),um jogador de Futebol Americano,partindo para uma viagem de negócios. Após conhecer a bela agente de viagens Dale Arden (Melody Anderson,de "Os Aventureiros Do Fogo"),um eclipse ocorre e os pilotos do avião particular em que estavam somem misteriosamente.Flash,demosntrando seus dotes de pilotagem aterrisa perto do laboratório onde o cientista Hans Zarkov (Topol) procurava por uma cobaia que pudesse ser lançada ao espaço sideral para investigar o que ele acreditava ser um ataque extraterrestre. Procurando ajuda,Flash e Dale são raptados por Zarkov,porém após tentarem escapar os dois ficam presos no foguete do cientista,acionado acidentalmente e lançando-os ao vácuo.

 Antes que pudessem morrer devido à fata de oxigênio,um vortex estranhamente aberto leva o trio ao Planeta Mongo,um planeta com características parecidas com as da Terra. Ao chegarem,são feitos de prisioneiros pelo exército de Ming,comandado pela General Kala (Mariangela Melato),e descobrem o plano malígno do ditador para conquistar o universo. Após ser livrado da morte pela filha do imperador,a Princesa Aura (Ornella Muti),Flash vai atrás de Dale,Zarkov,Barin (Timothy Dalton) e Vultan (Brian Blessed),para unir forças e dar um fim no malígno governo ditatorial de Ming.

 Lançado em 1980,quase em paralelo com o episódio V de Star Wars,"O Império Contra-Ataca","Flash Gordon" não fez tanto sucesso como DeLaurentiis almejava. Ficou mais conhecido na época por ter a trilha sonora  pomposa produzida pela banda Queen (FLASH! AH-AH!!),no auge da carreira. Com o tempo,o filme foi ganhando uma legião de fãs e virou um clássico Cult pelos seus diálogos memoráveis("Não! As minhocas furadeiras NÃO!")e pelo seu figurino bizarro,embora alguns fãs de Sci-Fi e quadrinhos cultivem um ódio mortal pela produção.



 Embora seja um filme que capta a essência do personagem (demonstrado nos belíssimos créditos iniciais,uma bela homenagem aos quadrinhos clássicos de Alex Raymond),ao final da projeção sempre fica uma sensação de que ainda faltou algo-talvez por isso o filme seja um desses casos de "ame-o ou odeie-o"-,e que "Flash Gordon" poderia ter sido melhor. Triste saber que a continuação prometida no fim do filme ("THE END?") nunca aconteceu (mas,agora com essa onda recente de reboots/remakes,quem sabe Flash Gordon volte as telonas). Mesmo que não seja o filme de herói mais fodão do mundo, "Flash Gordon" vale a pena numa sessão descompromissada com seus amigos cinéfilos fanáticos por quadrinhos e Sci-Fi. E quem sabe,depois de assistí-lo,você queira repetir a dose outras vezes (eu,por exemplo,não me canso de assistir)!
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Flash Gordon (EUA,1980)
 Direção:Mike Hodges
 Elenco: Sam J. Jones,Melody Anderson,Topol,Max von Sydow,Ornella Muti,Timothy Dalton,Braian Blessed,Mariangela Melato,Peter Wyngarde

terça-feira, 29 de março de 2011

A Vingança Das Gárgulas (2004)

O mercado de filmes "Direct-To-DVD" esconde muitas pérolas únicas,sejam de gosto duvidoso ou não.As vezes nos surpreendemos com a arte da capa,levamos o filme e descobrimos se ele é ruim ou não.As vezes,sabemos que o filme é ruim só pela capa,e levamos pela curiosidade.

 Então,cá estava eu,em mais uma noite com os amigos,quando um deles,o @jim_mys,me entrega um filme desses "Direct-To-DVD",chamado "A Vingança Das Gárgulas",e já entregava ser um filme tão ruim que não se conseguia tirar os olhos dele,sequer dar uma pausa para ir ao banheiro.Fui tirar a prova dos 9,e passei pela prova de fogo de assistir "A Vingança Das Gárgulas",um filme que surpreende pela sua tosquice.

 Pra começo de conversa,decici não memorizar quais atpres fizeramquais personagens.O filme é tão ruim que não se faz merecer esse esforço.Vou apenas narrar a história e fazer uma análise rápida sobre a produção.

 Nossa história começa na Romênia antiga,onde acompanhamos uma simpática moça caminhando por aí em uma carroça.Após anoitecer,a moça nota que há algo estranho nos céus:e é a tal Gárgula,uma criatura mitológica que é amiga do Quasímodo. Ao ver a maldita Gárgula,um padre vai a caça da criatura usando uma balista(uma arma parecida com um arco),e atira uma flecha manchada com seu sangue na ponta (o roteiro conta que esse é o modo mais eficiente de matar os bichos). Após matarem a criatura,que abre um imenso buraco no chão ao cair,os populares jogam uma pedra gigante que sabe lá de onde saiu,para impedir que o monstro retorne.

 Eis que então a história nos leva aos tempos de 2004,onde acompanhamos dois agentes da CIA ,que são enviados para Bucareste para prender os bandidos por trás do sequestro do filho do embaixador americano. Após a negociação não sair como o planejado e haver um tiroteio,um dos bandidos é morto por uma Gárgula que passava por lá. Logo depois,os agentes encontram o corpo do bandido,que estava empalado no topo de uma torre de um castelo e suspeitam que o criminoso tenha sido assassino por um membro do fâ-clube satanista do Drácula que existe na cidade (!). Após haver outros desaparecimentos misteriosos de turistas americanos(como dois amigos que são esquecidos depois no filme),eles resolvem investigar quem está por trás de tudo.
 
 Após chegarem na reunião do fã-clube do Drácula e assistirem a uma execução de uma garota ao vivo (!!),os agentesresolvem falar com o líder dos satanistas,conhecido como Lex The Slaughter.Logo depois,um tiroteio entre a gangue de Lex e outra rival ocorre.todos morrem pelas mãos da Gárgula,exceto Lex,que vai para num manicômio,pois acredita ter visto um demônio.Isso leva os agentes da CIA  a investigar esse caso sobrenatural junto com um padre chato,que não quer perder o cargo na igreja e rivaliza com outro padre,que veio tomar seu lugar.Depois,descobre-se que o padre amigo dos agentes é na verdade o malzão da história,que deseja que as Gárgulas voltem a assombrar a humanidade.

 "A Vingança Das Gárgulas" tem tudo o que um filme obscuro de terror "Direct-To-DVD" precisa:Plot ridículo,interpretações idem (destaque para um mulequinho que vê seu professor ser morto pela gárgula e para uma garota babaca que morre num zoológico,ambos em uma belíssima atuação!),efeitos visuias toscos, e furos grosseiros de roteiro (afinal,por que eles não prenderam Lex? Mesmo sendo inocente das mortes,ele decapitou uma garota ao vivo!!!!!). Acabou que me senti mais fraco que o Jimmy,pois cochilei umas duas vezes durante o filme e parei mais duas vezes para ir mijar.Por outro lado, "A Vingança Das Gárgulas" é uma ótima comédia involuntária,de dar inveja a Ed Wood e Roger Corman,pois nem pensando nele como um "filme de terror fraco" dá pra aguentar esse filmeco.Sem falar na facilidade de matar as gárgulas e no ritmo ultra-lento do filme(com apenas 87 minutos de filme,os caras começam a investigar e combater as gárgulas a partir de mais de uma hora de filme!)

 Mas se você quiser assistir,te dou todo o apoio xD

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 Gargoyle's Revenge (EUA,2004)
 Direção:Jim Wynorski
 Elenco:Michael Paré,Sandra Hess,Fintan McKeown,Kate Orsini

sábado, 26 de março de 2011

Cidade Baixa (2005)

Primeira colaboração do blog,galere!!!!! Esse artigo foi escrito pelo parceiro @andersonjor,originalmente publicado no blog Quando a Barata Voa no ano de 2005,e tenho mó prazer de apresentar esse texto aqui no Cinema Nuts!!!!

 Rapaz, estava eu por aqui me cansando de ver o teu blog sem ser atualizado, quando resolvi escrever minha última ode à recente produção cinematográfica tupiniquim. Para se aborrecer, recomendo o último mega-sucesso-promessa-sumpimpa do cinema brasileiro:Cidade Baixa. E teve gente que achou o máximo. Que melda!
 

 Bom, senta, contrai uma gonorréia no Novo Horizonte* aí perto da tua casa, que lá vem a história. Cara, lembro alguém falando que o Ken Park, do Larry Clark (aquele do Kids), não servia nem pra bater uma punheta. Pois então. O CB é a mesma coisa. A história é a seguinte: dois caras que comem uma puta juntos, se apaixonam por ela e depois brigam pela meretriz. Eles são barqueiros. Ela, como eu já disse, uma puta. Um vira boxeador. O outro assaltante. Ela continua uma puta. E ponto final.

Bom...essa é a história. Acho que o diretor queria mostrar uma Salvador (BA) sem romance. Feia, suja, pobre, marginal. Porém, caraleo, isso já foi feito com outras cidades brasileiras retratadas em filmes como o Amarelo Manga, que mostra Recife bem escrotinha, porém tem uma história bacana pra contar. O fato é que a proposta do CB fica só na proposta, sem história, sem porra nenhuma. Até os bons Lázaro Ramos e Wagner Moura se fodem em suas atuações. O filme é tão ruim que o espectador olha e vê o Zico e o Ezequiel do Carandiru.

A puta, quer dizer, a atriz que faz a puta, é a Alice Braga, aquela sobrinha da Sônia Brega. Não sei o que fizeram com a menina, mas ela está bem escrota nesse filme, comparando com a gostosura dela em Cidade de Deus - Pausa: acho que ela só vai fazer filmes que tenham "Cidade" no título. Vou chamá-la pra atuar no meu mais recente roteiro: "Cidade Nova"**, com patrocínio da prefeitura de Ananindeua.
Penso que ela se esforçou demais pra parecer uma piva rebi-rebi. A atuação dela é tão medíocre quanto dos dois caras, com o agravante da moça parecer mais inexpressiva do que a dupla masculina. O trio acaba fazendo uma série de pseudo-cenas de sexo. Uma hora um come a putinha e o outro espera. Outra hora o outro come a putinha e o primeiro brecha. Outra hora o primeiro come a putinha enquanto o outro está todo estrupiado. Outra hora os dois vão comer a putinha e um desiste. E assim vai... até que uma hora um deles resolve assumir o caso com a vagaba, deixando o outro todo putinho, não no sentido de vender o corpo e sim de ficar bravo, com raiva.

O clima do filme com as cenas de prostíbulos baratos, os tipos escrotos do cais do porto baiano, a briga de galo, as lutas de boxe amadoras, dá a entender que vai terminar com uma morte (pelo menos). Mas, como o diretor deve ser um viadinho covarde, termina o filme com os dois, depois de uma briga de moleque de rua muito da sem graça, sendo amparado pela Karina (a putinha, claro), que chora em cima de uma bacia com água misturada com a groselha saída da cara dos amigos brigões.

Rapaz, ouvi dizer de uns “entendidos” em cinema que esse é mais um bom filme da nova safra no Brasil. Imagina quando começarem a chegar os palhas. Acho que o público no dia em que eu assisti não era dos mais afeitos a arroubos cinéfilos. A maioria ria das cenas e um, na saída da sala escura, resumiu a minha impressão: “égua do filmizinho sem graça!”.

Já não está mais em cartaz, mas está quase para chegar nas locadoras. Se quiser ficar puto, "só te digo vai"***


* Casa da luz vermelha que fica próximo à casa de P. Nazareno, em Belém.
** Grande área de bairros do Município de Ananindeua.
*** Expressão local equivalente ao “você não pode ficar fora dessa

 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Brazil- O Filme (1985)

Imagine um mundo burocrático,onde até as tarefas mais simples de serem executadas precisam primeiro de permissão.Imagine um mundo com governo ineficiente e sempre pronto para a guerra.Um mundo tão terrível que só seja possível de escapar dele sonhando.Muito parecido com o mundo em que vivemos,né não?Pois é exatamente isso que faz de "Brazil",obra-prima de Terry Gilliam,um filme visionário.
 
 O ex-integrante do Monty Python,Terry Gilliam,teve a ideia de  "Brazil" após visitar uma praia de uma cidade industrial,onde tocava a canção que inspirou o nome do filme,"Aquarela do Brasil".Apesar desta história,o mundo do filme até guarda algumas semelhanças com nossa querida pátria:a nossa famosa burocracia e a polícia linha-dura,supostamente uma alusão à ditadura militar,que ainda era vigente na época do lançamento do filme.

No filme,acompanhamos a história de Sam Lowry (Jonathan Pryce,muito foda),um jovem funcionário público sem muitos planos na vida,com uma mãe viciada em cirúrgia plástica que tenta de tudo para que o filho assuma um emprego melhor (Katherine Helmond).Vivendo no meio do inferno burocrático,Sam não vê outro jeito de escapar disso tudo além de sonhar que é um cavaleiro alado em busca de uma linda mulher,ao som da "Aquarela do Brasil".

 A ineficiencia do governo é mostrada ainda nos primeiros minutos de projeção,quando uma autoridade explica que todos os 13 anos de ataques de bombas foram apenas "sorte de principiante",dizendo que o combate aos "terroristas" está tendo êxito (na verdade,a existencia de terroristas nunca é confirmada,supostamente sendo uma desculpa do governo para matar sem levar a culpa),logo após ocorrer uma explosão numa loja de eletrodomésticos.


 Outro detalhe absurdo:um erro ridículo causado por um inseto faz com que uma intimação que deveria ir para o Sr. Tuttle(Robert De Niro),um eletricista perseguido como "subversivo" acaba indo para o Sr.Buttle,um simples pai de família,que acaba torturado pelos homens do governo.

 No meio disso tudo,o patrão de Sam descobre a cagada e recruta o jovem para enviar pessoalmente a indenização à viúva de Buttle.Após ser atacado por um dos filhos da mulher,acaba se deparando com Jill (Kim Greist),uma caminhoneira que também é perseguida pelo governo e que é a cara cuspida e lambida da mulher que aparece nos seus sonhos,e que está ajudando a viúva a se restabelecer.Isso leva o nosso heroi a se envolver na batalha contra o sistema.

 "Brazil" é tecnicamente perfeito.Os delírios visuais de Gilliam,que foram se aprimorando ao passar dos anos-ele era o responsável por aquelas colagens geniais que cortavam as esquetes do Monty Python-deixam o filme ainda mais belo,principalmente nas cenas dos sonhos de Sam,uma mais maluco e belo que o outro.Ao contrário do que muitos dizem por aí,a história da rivalida entre Gilliam e o chefão da Universal na época,Sidney Sheinberg,só tendem a AUMENTAR o interesse pelo filme.Tudo começou quando,após Gilliam entregar o filme prontinho em janeiro de 1985,Sheinberg ordenou a remontagem do material,para torná-lo mais comercial.Isso deixou Gilliam muito puto,e ordenou que retirassem seu nome dos créditos caso a versão de Sheiberg-ridiculamente entitulada "Brazil-Love Conquers All",uma versão de uma hora e meia com final feliz(!)-fosse lançada.

 Felizmente,após toda essa onda o estúdio voltou atrás e lançou uma versão com 10 minutos a  mais,editada por Gilliam,nos EUA(a versão original,com seus gloriosos 142 minutos,foi lançado fora dos EUA).Infelizmente,o filme foi um fracasso de bilheteria,arrecadando apenas 6 milhões de dólares(custou cerca de 15 milhões),mas a recusa da Universal de promover o filme explico o fracasso.Para se ter uma ideia,a estreia oficial de "Brazil" aconteceu em somente um cinema nos EUA.

 Com o passar do tempo,o maravilhoso "Brazil" foi adquirindo um respeitável e merecido status de obra-prima,com todas suas cenas maravilhosas e um dos finais mais surpreendentes do cinema(se você ainda não viu,compre o seu dvd ou vá no youtube,mas VEJA)."Brazil" continua tão atual quanto "Laranja Mecânica",ficando datado em apenas alguns detalhes,com seu aspecto perturbador,claustrofóbico e assustadoramente próximo da realidade.
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Brazil (EUA/Inglaterra.1985)
Direção:Terry Gilliam
Elenco:Jonathan Pryce,Michael Palin,Robert De Niro,Kim Greist,Ian Holm,Bob Hoskins,Katherine Helmond