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terça-feira, 23 de outubro de 2012

The Return Of Captain Invincible (1983)


Gosto de Super-Heróis. Leio gibis desde bem moleque. Até lembro do primeiro gibi que ganhei: uma edição de 1985 da revista Super-Amigos que continha histórias de Batman e uma parte da mini Camelot 3000. Gosto muito de comédias e musicais também. Se você também adora tudo isso, então você precisa assistir essa desconhecida produção australiana chamada "The Return Of Captain Invincible", uma divertida sátira da imagem clássica do Super-Herói, e uma das comédias mais engraçadas que eu já vi, mas que ninguém mais parece ter assistido.


A trama nos apresenta o corajoso Captain Invincible (Alan Arkin, o avô drogadão de "Pequena Miss Sunshine"), um super-herói deliciosamente clichê: correto até o DNA e defensor do American Way Of Life no maior estilo Super-Homem ou Capitão América nos anos 40 (os dois influenciaram a criação deste). Ele fazia sucesso na Segunda Guerra Mundial, quando ajudou a derrubar os Nazistas, porém após o fim da guerra, Captain Invincible foi proibido de atuar em prol da justiça, pois o governo americano o acusou de ter ligação com os comunistas (por causa de sua capa vermelha), voar sem ter licença e de ser uma afronta à moral e aos bons costumes, por usar cueca por cima da calça em público.

Desolado e sem forças para continuar, o herói muda-se para a Austrália, onde permanece no anonimato por 40 anos. Enquanto isso, na América, o terrível vilão Mr. Midnight (Christopher Lee, absurdamente cômico) põe em prática seu grande plano: roubar uma poderosa arma chamada Hypno-Ray e usá-la para dominar o mundo. Após várias ideias de contra-ataque serem negadas, o Presidente dos EUA (Michael Pate, muito engraçado) encontra a única solução: convocar o Captain Invincible novamente para a luta, para que ele possa acabar com os planos do vilão. O problema é que ele agora é um bebum indigente que vaga pelas ruas da Austrália e não voa mais. Para se reintegrar a sociedade e re-assumir seu posto de herói ele conta com a ajuda da oficial Patty Patria (Kate Fitzpatrick).



Com esse plot amalucado, "The Return Of Captain Invincible" é uma ótima comédia musical de super-heróis. Algumas músicas (como a canção dos créditos finais) foram compstas por Richard O' Brien e Richard Hartley, a dupla de The Rocky Horror Picture Show e Shock Treatment, e são de longe as mais inspiradas do filme. Porém a mais engraçada é a cantada pelo presidente, onde ele põe-se a repetir a palavra "Bullshit" um bocado de vezes. A cena é impagável e já mostra o tom escrachado que permeia o filme todo.
Assista ao video abaixo e escute uma bela canção:

Infelizmente, essa pérola divertidíssima continua inédita do Brasil e não parece que deixará de ser, o que é incrível pelos grandes nomes que constam na ficha técnica, como o de Christopher Lee (embora o fato da empresa que bancou o filme ter fechado as portas uma semana depois da estreia ter contribuído para tornar o filme ainda mais inacessível). Pra quem quiser assistir, "The Return Of Captain Invincible" está disponível para download, embora não há legendas em português e nem em qualquer outro idioma (só pra ter uma ideia de como o filme é obscuro, pois existem legendas em português de "Class Of Nuke 'Em High", outro cult classic inédito no Brasil, e igualmente obscuro, pelo menos aqui). Vale a pena correr atrás e rir muito dessa besteira cult.
                             
                                                Trailer de "The Return Of Captain Invincible"


The Return Of Captain Invincible (Austrália, 1983)
Direção: Philippe Mora
Elenco: Alan Arkin, Christopher Lee, Michael Pate, Kate Fitzpatrick, Bill Hunter, Max Cullen, Chris Haywood

sábado, 7 de julho de 2012

Shock Treatment (1981)


Em 1975, estreou sem nenhum alarde aquele que se tornaria o um dos grandes musicais da história, e certamente o mais mmaluco e cultuado de todos, "The Rocky Horror Picture Show". No fim dos anos 70 e começo dos 80 o filme teve seu ápice de público, e isso levou Richard O' Brien e Jim Sharman a escreverem a continuação.

O' Brien entregou dois roteiros chamados "Rocky Horror Shows His Heels" e "Revenge Of The Old Queen", porém este último por ser considerado mais pesado e depressivo foi deixado de lado. Porém, quando as filmagens estavam prestes a ser agendadas, uma greve dos sindicatos de hollywood iniciou, fazendo assim o filme ficar impossibilitado de ser filmado em locações. A solução encontrada foi filmar o filme inteiro em estúdio e a mudança do roteiro, mudança essa que serviria para aproveitar as músicas que já tinham sido compostas para o filme. No final de tudo, "Shock Treatment" finalment entrou em cartaz.

"Shock Treatment" começa com uma narração contando a história de Farley Flavors, um magnata do Fast Food que praticamente governa a cidade de Denton, antes uma simples cidadezinha do sul dos EUA e que agora foi transformada em um estúdio de TV gigante. Farley viveu uma vida rápida, como diz o narrador "sua vida foi rápida, seus amigos eram rápidos, até a sua comida era rápida.", mas ele não estava satisfeito com tudo. Flavors queria se casar, e a moça que ele escolhe é Janet Majors (Jessica Harper, substituindo Susan Sarandon), porém ela já é casada com Brad Majors (Cliff de Young, de "Star Trek: Deep Space Nine", substituindo Barry Bostwick). Os dois estão vivendo uma fase difícil do casamento, o que leva Janet a ser influenciada por Bert Schnick (Barry Humphries, muito esquisito), o apresentador de um programa chamado "Marriage Maze" a internar Brad em Dentonvale, uma clínica psiquiátrica dentro da cidade-estúdio, e que também é uma especie de Reality-Show.

Enquanto Brad é submetido à terapia forçada, Janet vira uma celebridade e acaba tornando-se egocêntrica e se esquece do marido. Nesse interim, temos Betty Hapschatt (Ruby Wax) e Oliver Wright (Charles Gray, o criminologista de RHPS e Mycroft Holmes na série dos anos 80) que estão dispostos a ajudar Brad a fugir e desvendar a farsa dos médicos de Dentonvale, Dr. Cosmo McKinley (Richard O' Brien) e Nation McKinley (Patricia Quinn), e também divulgar a verdade sobre Farley Flavors, que tem mais a ver com Brad do que qualquer outro.


Como você pode perceber, "Shock Treatment" é uma bagunça. Mas é necessário que se diga: para curtir esse filme, você deve esquecer dos eventos de "The Rocky Horror Picture Show". Nada sobre o incidente do filme anterior é mencionado. Esqueça Transilvanianos e homens travestidos, esta aqui é uma história totalmente independente e nova. Se você se prender na mitologia cativante - e superior - do filme original, vai acabar perdido ou muito puto no final da projeção. As músicas ainda são muito boas e a performance de Brad e Janet por Young e Harper não fazem feio em comparação a Bostwick e Sarandon. Obviamente em algum ponto sentiremos falta da presença do ótimo Tim Curry, mas pelo menos temos O' Brien e Quinn melhores do que nunca como o casal de irmãos-amantes. Cliff de Young se sai melhor como Farley Flavors do que como Brad, e é uma pena que apareça tão pouco durente o filme. Menos interessantes são a infermeira Ansalong (Little Nell) e a outra turma, Ralph Hapschatt (Jeremy Newson, o único reprisando seu papel de RHPS) e Macy (Wendy Raebeck), que só está no filme pra encher linguiça.

Tirando essas poucas inconveniências, "Shock Treatment" vale uma conferida. Um "Double Feature" com Rocky Horror também é bem vindo, mas nada muito além disso. Em termos de qualidade, bizarrice e beleza, Rocky Horror continua imbatível.
                               
                                                         Trailer de "Shock Treatment":
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Shock Treatment (EUA e Inglaterra,1981)
Direção: Jim Sharman
Elenco: Jessica Harper, Cliff de Young, Richard O' Brien, Patricia Quinn, Charles Gray, Little Nell, Ruby Wax, Barry Humphries, Jeremy Newson

sábado, 19 de maio de 2012

Top Secret! - Superconfidencial (1984)

No post do blog Nerds Paraenses em que escrevi sobre "Rebeldes da Academia"(Dir: Robert Downey,1980), eu falei sobre como um filme com tanto potencial poderia ter se tornado brilhante se estivesse nas mãos de gente como o trio Zucker-Abrahams-Zucker. Pois assistindo "Top Secret", esse sentimento se torna mais forte. Digo isso porque é impossível não gostar desse besteirol encantador.


Em "Top Secret!" acompanhamos o jovem rockstar Nick Rivers (Val Kilmer,de "The Doors" e "Fogo Contra Fogo", pela primeira vez estrelando um filme), que é chamado pelos aliados do General Streck (Jeremy Kemp) para tocar em um festival internacional de música na Alemanha Oriental. Acontece que o festival na verdade não passa de um truque dos militares alemães de desviar a atenção do mundo de um ataque de submarinos aliados arquitetado por eles. Vemos que Rivers é um superstar,aparecendo em várias revistas e fazendo shows por todo EUA. Até que o jovem parte para a viagem junto com seu empresário Martin (Billy J. Mitchell). Chegando na Alemanha Oriental, eles são recebidos pelo Coronel Von Horst (Warren Clarke, o Dim de "Laranja Mecânica", em uma ótima atuação) que é irritado pelo jovem cantor.




Tudo corria muito bem como os militares previam, até que em um baile, Nick conhece a bela Hillary Flammond (Lucy Gutteridge), que está fugindo dos Miltares, pois é uma das integrantes do Grupo de Resistência às tropas. Assim, Rivers acaba descobrindo as verdadeiras intenções dos alemães, e a pedido de Hillary, aceita participar da misssão para salvar o pai da moçoila, o Dr. Flammond (Michael Gough, o Alfred dos "Batman" de Burton e Schumacher), que havia sido aprisionado pelas tropas de Streck. Porém, Nick vive fazendo merda, e após bater em um oficial, acaba indo para numa prisão, onde na fuga acaba encontrando o Dr. Flammond, e promete reunir a resistência.





Após ser liberado para fazer mais shows na cidade, Nick acaba reencontrando Hillary, que conta pra ele que teve um caso com Nigel (Christopher Villiers), que havia crescido com ela em uma ilha deserta (com em A Lagoa Azul). Logo descobrimos que Nigel também faz parte da resistência, e juntos de outros membros - que eu não citarei os nomes pra não destruir uma das melhores piadas do filme- partem para resgatar o pai de Hillary e pôr um fim no plano dos Militares.


"Top Secret!" é incrivelmente encantador, engraçado e nonsense, assim como todas as produções do trio ZAZ (em especial "Apertem Os Cintos...O Piloto Sumiu!" e "Corra Que A Polícia Vem Aí"). Porém, este tem um charme especial, por conta das homenagens a filmes de guerra e aos filmes de Elvis Presley. As músicas são um caso à parte: valendo menção ao tema de abertura, "Skeet Surfin'" e ao cover maluco de "Tutti Fruti", uma das melhores cenas do filme. Ótima também é a pequena participação de Peter Cushing, o eterno matador de vampiros Van Helsing, em uma cena que só pode ser classificada como surreal.


Enfim, resolvi não escrever muito (como no post anterior, diga-se de passagem), para não estragar as surpresas caso você for procurar esse filme. Vale muito uma procura, e é garantia de uma animada sessão com os amigos regada à cerveja, junto com outros clássicos dos irmãos Zucker.




Trailer de "Top Secret!"
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Top Secret! (EUA,1984)
Direção: Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker
Elenco: Val Kilmer, Lucy Gutteridge, Jeremy Kemp, Michael Gough, Warren Clarke, Peter Cushing, Omar Sharif, Christopher Villiers, Billy J. Mitchell)

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Besouro Verde (2011)

Muita gente ficou com o pé atrás quando o primeiro Trailer oficial de "O Besouro Verde"(The Green Hornet,2011) foi lançado. Muitos fãs odiaram as cenas com tom de comédia pastelão e meteram o pau na produção mesmo antes de sua estreia.

 A decepção de alguns tem explicação:muitos cresceram assistindo à série do Besouro Verde dos anos 60(baseada no programa de rádios dos anos 30),que competia com a série do Batman qual era a mais fodona(o que rendeu um divertido episódio crossover das duas séries).Acontece que na época,o herói era sério e badass,e seu parceiro,Kato(interpretado pela lenda Bruce Lee)era um lutador sério.Eo filme de Michel Gondry("Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças","Rebobine,Por Favor")simplesmente deixa tudo isso de lado para realmente dar mais foco à comédia.Mesmo conhcendo (pouco) a série original,saí do cinema satisfeito,não por ter visto uma obra-prima,mas sim por ter visto um filme extremamente divertido.

                                                                                 Vamos ao filme:
Na trama,acompanhamos a vida do riquinho mimado Britt Reid(Seth Rogen,ridículo como sempre),que dá trabalho ao pai desde criança,e só quer saber de festa.Sua vida muda quando seu pai é supostamente morto por uma ferroada de abelha,a qual era alérgico.Logo,Britt deve seguir em frente na chefia do Daily Sentinel,o jornal antes chefiado pelo falecido.
 Num belo dia,ao perceber que o café que lhe fora preparado estava uma merda,Britt vai ao encontro do responsável pelo serviço.Descobre queo o antigo responsável pelo café erao ex-mecânico do seu pai,o chinês Kato(Jay Chou).Ao descobrir,mais tarde,que Kato é capaz de criar qualquer bugiganga imaginável,Britt resolve convidá-lo a uma nova aventura:o combate ao crime.
 Enquanto isso,o traficante de drogas mega bandidão Chudnofsky(Christolph Waltz) se torna o novo chefão do crime organizado após matar um outro traficante(James Franco).Quando a dupla de heróis executa uma ato de vandalismo contra a estátua em homenagem ao pai de Britt,eles são levados a combater uma gangue que atacava um casal,e Britt convence Kato a continuar no combate ao crime.Mais tarde,quando os heróis(principalmente Kato) dão uma coça em uns bandidos chefiados por Chudnofsky,eles se metem no caminho do bandidão,que planeja eliminar os heróis a todo custo.
 Se após ler isso,você acha que verá um digno filme tradicional de super heróis,estilo "The Dark Knight",nem perca seu tempo indo ao ciname,pois ao contrário do filme de Nolan,"O Besouro Verde" não se leva a sério EM MOMENTO ALGUM!!!! Há sempre uma piada durante as cenas (cortesia de Rogen,que também escreveu o roteiro),sempre divertidas e nunca enjoativas.
 Mas há ação também,embora a pancadaria não seja o ponto forte da produção.Jay Chou realmente rouba a cena como Kato(o que não deve ter sido difícil,tamanha a imbecilidade do personagem de Rogen),mas não conseguirá nunca superar o finado Bruce Lee.Há também várias citações à Lee,que imortalizou o personagem-e deu vida longa à série.
 O ponto fraco da película é Cameron Diaz.Sua personagem foi muito mal-aproveitada,com poucos diálogos,e não tem muita função na trama,ajudando Britt em algumas coisas.
 
 Se você é fã e nuca levou Super-Heróis a sério mesmo,vá comprar seu ingresso e assista tranquilo com a gatinha.

 Se você conhece bem o personagem,aproveite e escute o tema original da série,que toca quase no fim do filme. Embora seja um trecho curto-menor do que o que toca em "Kill Bill Vol.I",a sensação,para os fãs antigos,é de nostalgia.

 Então,digo a todos:não deixe de assistir "O Besouro Verde",um filme divertidíssimo,levando em conta 1 ou 2 críticas negativas.Não vá esperando ver o novo "Dark Knight",pois vai se decepcionar.Assista-o com o mesmo espírito que você assitiu "Kick-Ass-Quebrando Tudo",e aí sim,você vai se divertir bagarai,ainda mais com a sua turma,ou a gatinha,do lado.Eu fui sozinho e gostei do filme,mas fica a dica:é um filme para se ver com a galera.

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=9btZIK3Obpg
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 The Green Hornet(EUA,2011)
 Direção:Michel Gondry
 Elenco:Seth Rogen,Jay Chou,Cameron Diaz,Christolph Waltz,James Franco