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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Explosões,caras durões e picaretagem: A história resumida da Cannon Films


Eu nasci em 1995. Nessa época (metade da década de 1990), o VHS já demonstrava estar ruim das pernas. Em breve ele seria substituído por uma forma mais avançada de assistir filmes em casa, neste caso o DVD. Apesar disso, minha educação fílmica foi criada justamente com filmes lançados antes dessa triste decadência da fita de vídeo. Quando era criança,minha casa era cheia de VHS piratas com capa de xerox,quando não,sempre tinha alguma fita da distribuidora América Video,com aquelas capas com moldura azul e estrelinhas brancas, que alguém tinha "esquecido" de devolver pra locadora. Como sempre gostei de ler qualquer coisa,acabava as vezes lendo as informações nas capas. Foi nessa época que tomei conhecimento da Cannon Pictures,pois a América Video foi a empresa que lançou os filmes do estúdio em VHS aqui no Brasil.

Acho que todo mundo que frenquentou videolocadoras nos anos 80 e 90 deve ter pego uma fita de um filme produzido pela Cannon. VOCÊ já deve ter assitido milhões de vezes muitos filmes da Cannon sem saber, pois vários desses filmes já foram campeoníssimos de reprises nas sessões da tarde ou cinemas em casa da vida.

A Cannon Pictures foi fundada em 1967 pelos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus. Eles começaram produzindo filmes de baixíssimo orçamento na sua terra natal, Israel. Porém com o sucesso internacional de um filme chamado "Lemon Popsicle", os primos acabaram mudando suas operações para o Estados Unidos, onde o filme havia feito bastante sucesso. "Lemon Popsicle" é considerado o primeiro besteirol adolescente, gênero hoje bem estabelecido graças à franquia "American Pie", levando assim os méritos que por muito tempo foram creditados à "Porky's: A casa do amor e do riso", de Bob Clark, feito dois anos depois, em 1980.

Já estabelecidos nos EUA, os primos com a sua Cannon Pictures acabaram por dominar a indústria de filmes de baixo orçamento no país, principalmente do gênero ação. Chuck Norris, Jean-Claude Van Damme, Charles Bronson, Sylvester Stallone, Michael Dudikoff e Robert Ginty eram as figurinhas carimbadas do estúdio. Vez ou outra um filme estrelado por qualquer um deles saía para a alegria dos fãs de ação casca-grossa. Porém, os planos de Golan - Globus iam além. Com toda a grana arrecadada com essas produções, sempre de baixo orçamento mas com bastante retorno finaceiro, eles pretendiam finaciar filmes, digamos, "artísticos". Pretendiam com isso ganhar o respeito da crítica, que os chamava de picaretas e caça-níqueis, e mais do que tudo, uma pomposa prateleira enfeitada com vários Oscars. Ainda na década de 80, enquanto a Cannon lançava mais e mais filmes baratos e toscos, lançavam também filmes como "Rei Lear" (de Jean-Luc Godard,1987), "Otelo" (de Franco Zeffirelli,1986), e "Barfly: Condenaods pelo vício" (de Barbet Schroeder e com produção executiva de Francis Ford Coppola,1987), entre alguns outros.

Porém, o sonho do respeito e dos Oscars nunca se realizou: todos esse filmes afundaram vergonhosamente nas bilheterias. O "Rei Lear" de Godard é um caso mais interessante e específico: dizem que Golan e Globus não entendiam muito da linguagem artística do diretor, mas confiavam em Godard. O diretor, por sua vez, só fez filmar qualquer coisa e pegar o dinheiro dos primos após as filmagens. A crítica desceu o pau na produção, chamando-o de "piada de mau gosto". O Crítico Desson Howe disse que "enquanto o dramaturgo valorizava a claridade e a poesia, Godard procura a ofuscação e a banalidade. Shakespeare apontava para a universalidade, enquanto Godard procura desvalorizar tudo, inclusive a obra em si."

Por essa época, a Cannon começou a dar tiro no próprio pé. Durante a metade da década de 80, o estúdio tinha mais filmes em produção do que dinheiro para bancá-los. Só em 1985,por exemplo, a Cannon lançou por volta de 43 filmes. Além disso, muitas e equivocadas apostas ajudaram a acelerar o processo de falência da empresa, com por exemplo o exorbitante salário pago a Sylvester Stallone para fazer "Falcão - O Campeão dos Campeões", que foi um fracasso de público e crítica, a produção de "Superman IV: Em Busca da Paz" que foi inicialmente orçada em 36 milhões de doletas e que graças aos problemas finaceiros do estúdio foi reduzido para a mixaria de 17 milhões, e também o contrato milhonário com Tobe Hooper, onde ele deveria fazer 3 filmes na empresa: "Invasores de Marte" "O Massacre da Serra Elétrica 2" e "Força Sinistra" - ambos fracassaram nas bilheterias.

Tudo corria de forma trágica para Golan e Globus, até que finalmente em 1988 a Cannon declarou falência, tendo assim que cancelar vários filmes que já haviam sido anunciados, como a continuação de "Mestres do Universo" e a menina dos olhos da empresa, a tão sonhada adaptação de "Homem Aranha", que seria dirigida por Hooper, depois por Joseph Zito e acabou parando nas mãos do diretor de tralhas Albert Pyun (que mais tarde dirigiria aquele pavoroso filme do Capitão América estrelado por Matt Salinger, e que foi produzido pelo ex-Cannon Menahem Golan). Com as sobras dos figurinos e cenários contruídos originalmente para essas duas produções, Cannon e Pyun realizaram "Cyborg - O Dragão do Futuro", com Van Damme, o último clássico do estúdio, que logo depois fechou as portas.

Menahem Golan: Após a Cannon bater as botas, continuou produzindo filmes de orçamento inexistente, com menção ao "Capitão América" de Albert Pyun. Sua última produção chama-se "Marriage Agreement",de 2008.

Yoram Globus: Também seguiu o caminho de seu primo, continuando a produzir filmes. Sua última produção, entitulada "Havurat Rosh Kruv" data de 2010.

Confira alguns posters das produções da Cannon:


 
O Último Americano Virgem

 

                                                        Braddock: O Super Comando

                                                                     Stallone Cobra

                                                      Superman IV: Em Busca da Paz

                                                                     Comando Delta

                                                                    American Ninja


                                                     Falcão: O Campeão dos Campeões


                                            ...e o clássico dos clássicos... Desejo de Matar 3
Obs: Muitos desses títulos estão disponíveis em DVD. A maioria pela MGM, mas também pode-se encontrar uns pela Warner. Corre logo e compra!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mestres Do Universo (1987)

                    Houve uma época em que desenhos animados eram legais,tinham heróis imbativeis e de quebra,ainda tinham lição de moral no final.O exemplo mais clássico é "He-Man e os Mestres Do Universo",criado pela Mattel na forma de uma linha de brinquedos feita às pressas para evitar o prejuízo do lançamento da linha baseada no filme do Conan-que não tinha nada de infantil.
             

                   Tudo ia muito bem,o desenho era um sucesso,e tals...qual seria o próximo passo?"Um filme,óbvio",pensara os executivos da Mattel, e então eles venderma os direitos de filmagem para a famigerada dupla de produtores picaretas Menahem Golam e Yoram Globus,os caras que despejavam dezenas de filmes de ação baratos(aqueles com Stallone,Van Damme e Chuck Norris),e sua Cannon Films(ah,eles também cometeram "Superman IV-Em Busca Da Paz").


                  O resultado? Um filme fraquíssimo,muito longe do esperado de uma aventura baseada numa história tão legal como a do heroi de sunga felpuda e cabelo de Pablo do "Qual É A Música?"!

                Na história,o Esqueleto finalmente se apodera do Castelo De Grayskull,enquanto He-Man duela com os capangas do vilão. Não há sinal dos pais de Adam,do Gorpo nem do Gato Guerreiro,e o roteiro nem se dá ao trabalho de explicar o que aconteceu com eles(se morreram ou o que...).
         
                Com Etérnia completamente devasatada,He-Man(o sempre péssimo Dolph Lundgreen),Mentor,Teela e Gwildor(personagem criado para o filme,supostamente substituindo Gorpo) fogem de lá e caem por um acaso na Terra,onde pode estar a chave cósmica,última esperança da galera contra o ossudo.

                 Logo depois,o bombado de Etérnia e sua trupe encontram os namorados terrestres Kevin(Robert Duncan McNeil) e Julie (Courtney Cox,a gatinha morena de "Friends"),que se dispoem a ajudar a turma de Etérnia.Porém o Esqueleto sabe onde está a galera,e manda Homem-Fera e Maligna na frente.Após os capangas levarem uma peia da moda,o vilão decide invadir a Terra com seu exército do mal.
             
                Apesar do filme ser uma onda só,ele não decola.Os diálogos são sofríveis,interpretações idem(com exceção de Frank Langella,como Esqueleto),e a hisória,apesar de ser superficialmente plausível,é muito mal-feita,e só tende a diminuir o interesse pela produção.E se eu te disser que a chave cósmica,única esperança contra o vilão,era a música? Como Kevin tocava(não muito,vale ressaltar),conseguia operar a parada.Pode?

                 A direção de Gary Goddard(em seu único trabalho) é ridícula,para completar a desgraça,mas o filme até que fez um sucessinho na época.Depois disso houveram mais duas tentativas de levar a franquia ao topo novamente:uma nova série,chamada "As Novas Aventuras De He-Man" e um remake da série original.Infelizmente,essas produções só serviram pra uma coisa:fazer com que o filme não pareça tão ruim assim.

               Ainda aqui,pai?Então,se você for assistir "Mestres Do Universo"(ou já viu,não sei),veja até o fim dos créditos,onde o Esqueleto exclama:"EU VOLTAREI!".Nós adoraríamos ver uma nova aventura,mas de preferêrncia,num filme melhor.
                  *
     Masters Of  The Universe(EUA,1987)
     Direção:Gary Goddard
     Elenco:Dolph Lundgreen,Frank Langella,Courtney Cox,Robert Duncan McNeil