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domingo, 16 de dezembro de 2012

Os Fantasmas Se Divertem (1988)



Não sou muito fã do trabalho de Tim Burton. Embora seja um cara que fez ótimos filmes, atualmente ele se limita a dar sua "visão sombria" para algo que já existe, ficando assim bem distante do cara original por trás de curtas como "Frankenweenie" e "Vincent". Porém, não digo que abomino o trabalho de Burton por várias razões (os Bat-Filmes, seus trabalhos nos anos 90), mas principalmente, porque ele fez um dos meus filmes favoritos e que tem um lugar especial na minha memória afetiva: a deliciosa comédia de humor negro de 1988 "Os Fantasmas Se Divertem". 

Assisti há pouco tempo novamente, e pude perceber algumas sutilezas e detalhes bem interessantes que passavam despercebidos por mim na época em que esse filme passava na Sessão da Tarde (a salvação das tardes quando o Silvio Santos deixava de passar Chaves e colocava novelas e outras besteiras chatas como "Os Pássaros Feridos"), mas percebi que Os Fantasmas Se Divertem envelheceu muito bem (embora alguns efeitos especiais da época, como saturno e os vermes de areia, estejam um tanto quanto ultrapassados) e ainda continua muito engraçado.

No filme, Adam (Alec Baldwin) e Barbara (Geena Davis, antes do fracasso "A Ilha da Garganta Cortada", que enterrou parcialmente sua carreira) são um simpático casal que vive longe de tudo em uma cidadezinha no interior dos EUA. Enquanto ele se empenha em construir uma maquete da cidade, ela se limita a ajeitar as coisas da casa e a espantar a sua irmã, que tenta convencê-los a vender a casa. Porém quando os dois voltavam das compras, acabaram por se descuidar na estrada e provocam um terrível acidente.

Ao voltarem pra casa, os casal descobre que não sobreviveu ao acidente e que sua casa já foi vendida pela irmã de Barbara. Quando a família que comprou a casa, os Deetz  - Charles (Jeffrey Jones, figura clássica dos filmes dos anos 80, como já foi dito no artigo sobre Howard, O Super-Herói), Delia (Catherine O’Hara) e Lydia (Winona Ryder, muito jovem), a filha gótica de Charles – chegam na casa, o casal de fantasmas resolve espantá-los de lá, mas acabam se esbarrando em um monte de burocracias do além. Resta a eles contratar o Bio-Exorcista autônomo conhecido como Betelgeuse (Michael Keaton, excepcional), um fantasma muito excêntrico que resolve ajuda-los a expulsar os vivos daquela casa. Os problemas começam quando eles começam a simpatizar por Lydia, e quando esta conhece Betelgeuse durante um ataque do fantasma à família dela, quando ele acaba se apaixonando por ela. Agora, Adam e Barbara devem arrumar um jeito de fazer as pazes com Lydia (que acha que eles foram os responsáveis pelo ataque), com os pais da garota e dar um fim em Betelgeuse e em toda sua maluquice.

Dirigindo sobre um roteiro inteligente ( por Michael McDowell e Larry Wilson) e com umas sacadas ótimas, Burton faz de Os Fantasmas Se Divertem uma ótima experiência visual. Pode-se dizer que o público conheceu o universo sombrio de Burton através desse filme, pois seus curtas não eram muito conhecidos do grande público, e seu filme anterior, “A Grande Aventura de Pee-Wee”, nem de longe lembrava algo do diretor. O elenco é excepcional, principalmente Keaton, super à vontade e muito engraçado. Única exceção talvez seja Otho (Glenn Shadix), que apesar de ganhar mais importância na trama lá no final, é um personagem muito chato e impossível de gerar qualquer simpatia. A trilha sonora de Danny Elfman (compositor requisitado em quase todos os filmes de Burton) dá uma pista do que o filme é: uma grande brincadeira sombria e divertida (poucas vezes uma trilha casou tão bem com um filme como dessa vez).

Após o sucesso deste filme, Tim Burton pôde realizar grandes projetos como o primeiro “Batman” e o maravilhoso “Edward Mãos- de-Tesoura”, e aí ir pros seus filmes mais pessoais como o sensacional “Ed Wood” e “Marte Ataca!”, antes de despirocar de vez e perder toda sua originalidade (sua versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” é horrorosa e ainda tem gente que acha melhor que o filme original de Mel Stuart!). Você pode até odiar o Burton de hoje como eu, mas esse filme merece ser visto, esse dentro de outros também imperdíveis os quais citarei em outra oportunidade. Por enquanto, assistam esse novamente, e quem nunca viu corra atrás.

                                   Trailer de “Os Fantasmas Se Divertem”


Beetlejuice (EUA,1988)
Direção: Tim Burton
Elenco: Alec Baldwin, Geena Davis, Jeffrey Jones, Catherine O’Hara, Winona Ryder, Michael Keaton 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Fantasma do Paraíso (1974)


De toda a filmografia de Brian De Palma, posso dizer que "O Fantasma Do Paraíso" figura no Top 3 dos meus filmes favoritos. Essa produção de 1974 representa o que há de melhor no estilo do cineasta, onde vemos o diretor no auge de sua forma, acompanhado de um elenco brilhante e de um roteiro esperto (escrito pelo próprio De Palma).


Na trama de "O Fantasma do Paraíso", conhecemos o músico e empresário do ramo fonográfico conhecido apenas como Swan (interpretado pelo músico Paul Williams), um precoce no meio da música, que produziu seu primeiro disco de ouro aos 14 anos, e conseguiu alcançar o ápice da fama ao lançar o grupo The Juicy Fruits, que surgiu em meio a onda de saudosismo nos anos 70. Porém, ele decidiu que já era hora de experimentar outras coisas, e para isso ele precisa de uma nova sonoridade, tanto para se auto-promover quanto para poder inaugurar o que seria o Templo definitivo do rock, o Paradise, um lugar onde tudo seria permitido e que viveria recebendo artistas de Rock, normais e malucões.

Em sua busca por uma sonoridade única, Swan acaba conhecendo o excêntrico pianista Winstow Leach (William Finley), que compôs uma excepcional sonata que retratava a clássica história de Fausto. Empolgado por receber uma proposta de ter sua música produzida por Swan, Winstow acaba dando a cópia original da sonata para o produtor, que a rouba, primeiro botando os Juicy Fruits para tocá-la, e depois dando- a para uma grande cantora chamada Phoenix (Jessica Harper, de "Shock Treatment"). Quando Winstow descobre que sua música está sendo tocada por uma banda comercialóide e descartável, ele passa a caçar o inescrupuloso produtor, porém um acidente terrível na fábrica de discos pertecente a Swan faz com que o compositor tenha seu rosto deformado, forçando-o a usar uma máscara e uma roupa especial. A partir daí, Winslow, agora assumindo a identidade do Fantasma, começa uma verdadeira busca por vingança contra aquele que causou seu mal, ao mesmo tempo em que tenta salvar Phoenix das garras do empresário, que guarda um segredo macabro.

"O Fantasma do Paraíso" é uma aula divertidíssima de cinema. O roteiro é bem inteligente, carregado de humor, drama e ação; o elenco está impecável (com destaque para o trio protagonista, Finley, Williams e Harper), e a música, a cargo de Williams, é excelente, com canções de Rock bem setentistas e exageradas (era a época do Glam Rock, afinal). Destaque também para Gerrit Graham ( de Brinquedo Assassino 2), na pele do excêntrico músico Beef, uma das coisas mais divertidas do filme, mas que infelizmente aparece bem pouco.

Enfim, se você não conhece a filmografia de Brian De Palma, mas quer aventurar-se nela, esse filme aqui é uma excelente porta de entrada, onde tudo de bom que o cinema do diretor tem está condensado em uma produção só. Vale também uma sessão com esse e dois dos filmes mais conhecidos do cara: "Carrie, a estranha" e "Scarface". Ao final dessa sessão, você estará apaixonado pelo cinema de Brian De Palma.

                                                         Trailer de "O Fantasma do Paraíso"


Phantom Of The Paradise (EUA, 1974)
Direção: Brian De Palma
Elenco: Paul Williams, William Finley, Jessica Hraper, Gerrit Graham, George Memmoli


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Volta dos Mortos-Vivos (1985)


BÚ!

Aproveitando que hoje é Halloween, resolvi fazer um post especial para comemorar a data, falando um pouco sobre um dos grandes clássicos do terror oitentista: A Volta dos Mortos-Vivos. Despretensiosamente escrito por Dan O' Bannon, conhecido por ter escrito o roteiro de "Alien", "A Volta dos Mortos-Vivos" faz referência direta ao "A Noite dos Mortos-Vivos", de George A. Romero, que na trama do filme, foi baseado em uma história real. Entretanto, ele não é algum tipo de sequência ou spin-off do filme de Romero.

No filme, conhecemos Frank (James Karen) e Freddy (Thom Matthews), que trabalham em uma espécie de armazém para suplementos médicos, sendo Freddy um novato. Eis que então Frank conta a Freddy toda a história por trás do filme de Romero: ele teria escrito o filme baseado em testes com elementos químicos feitos pelo exército, cujo efeito colateral fazia os mortos pularem como se ainda estivessem vivos. Como miséria pouca é bobagem, os corpos usados no experimento estão trancafiados em uns tipos de tambores no porão do armazém, que também vende corpos para escolas de medicina.

Tomados pela curiosidade, os dois descem para ver os corpos, e abrem um dos tambores, mas um dos barris começa a vazar, fazendo que os dois desmaiem ao inalar o gás que lá estava armazenado. Indo pela ventilação, o gás começa a se espalhar por todo o lugar, afetando inclusive uma sala onde um cadáver está guardado. Enquanto isso, somos também apresentados aos amigos de Freddy, um grupo de punks que espera o jovem sair do emprego para irem a farra, mas enquanto isso fazem uma festinha em um cemitério da cidade. Acontece que quando Frank, Freddy, e seus outro amigos Ernie (Don Calfa) e Burt (Clu Gulager) acabam por cremar o corpo re-animado, as toxinas presentes no corpo do zumbi escapam pela fumaça e logo depois misturam-se à uma chuva, que obviamente também cai no cemitério onde os punkis estão, acabando por trazer os mortos de volta à vida. Começa agora uma guerra para livrar-se dos mortos-vivos, mandando eles novamente para debaixo da terra.

Misturando terror clássico com humor negro, além de várias referências aos filmes de mortos-vivos, "A Volta dos Mortos-Vivos" é um filme muito divertido e que acrescenta coisas à mitologia dos zumbis. Neste filme, eles são capazes de falar e são até bem inteligentes (uma sacada genial é a cena quando um dos zumbis escuta o rádio da ambulância, deixa de devorar o cérebro do paramédico e responde ao chamado falando "Mandem mais paramédicos"). Uma mudança é o fato dos zumbis se alimentarem apenas dos cérebros das pessoas, e não mais de seu corpo inteiro como em outros filmes (daí vem a clássico expressão "BRAAAAAAINS", dita por um dos zumbis e repetida até hoje nos Zombie Walks da vida). O elenco é ótimo e parece muito a vontade durante o filme inteiro com destaque para a dupla protagonista Karen e Matthews. Para os homens, quem rouba a cena, entretanto, é Linnea Quigley, como a punk conhecida como Trash, na clássica cena em que ela dança nua em cima de uma sepultura. Linnea tornou-se a rainha dos filmes B depois de estrelar várias produções de baixo orçamento, a maioria inéditas no Brasil.

Em tempos que as pessoas conhecem zumbis através dos filmes de Resident Evil (todos muito ruins!) e de séries competentes como The Walking Dead (conheça os quadrinhos), vale a pena revisitar o passado e assistir esse classicão que ainda funciona muito bem e continua tão aterrorizante e engraçado quanto foi há 27 anos.

Melhor fala:
"- Você não disse que era só destruir o cérebro e ele morria?"
"- Funcionava no filme!"
" - Mas não funciona agora."
" - Quer dizer que o filme mentiu?"

                                                      Trailer de "A Volta dos Mortos-Vivos"

The Return Of The Living Dead (EUA,1985)
Direção: Dan O' Bannon
Elenco: James Karen, Thom Matthews, Clu Gulager, Miguel A. Nunez Jr., Brian Peck, Linnea Quigley

sábado, 7 de julho de 2012

Shock Treatment (1981)


Em 1975, estreou sem nenhum alarde aquele que se tornaria o um dos grandes musicais da história, e certamente o mais mmaluco e cultuado de todos, "The Rocky Horror Picture Show". No fim dos anos 70 e começo dos 80 o filme teve seu ápice de público, e isso levou Richard O' Brien e Jim Sharman a escreverem a continuação.

O' Brien entregou dois roteiros chamados "Rocky Horror Shows His Heels" e "Revenge Of The Old Queen", porém este último por ser considerado mais pesado e depressivo foi deixado de lado. Porém, quando as filmagens estavam prestes a ser agendadas, uma greve dos sindicatos de hollywood iniciou, fazendo assim o filme ficar impossibilitado de ser filmado em locações. A solução encontrada foi filmar o filme inteiro em estúdio e a mudança do roteiro, mudança essa que serviria para aproveitar as músicas que já tinham sido compostas para o filme. No final de tudo, "Shock Treatment" finalment entrou em cartaz.

"Shock Treatment" começa com uma narração contando a história de Farley Flavors, um magnata do Fast Food que praticamente governa a cidade de Denton, antes uma simples cidadezinha do sul dos EUA e que agora foi transformada em um estúdio de TV gigante. Farley viveu uma vida rápida, como diz o narrador "sua vida foi rápida, seus amigos eram rápidos, até a sua comida era rápida.", mas ele não estava satisfeito com tudo. Flavors queria se casar, e a moça que ele escolhe é Janet Majors (Jessica Harper, substituindo Susan Sarandon), porém ela já é casada com Brad Majors (Cliff de Young, de "Star Trek: Deep Space Nine", substituindo Barry Bostwick). Os dois estão vivendo uma fase difícil do casamento, o que leva Janet a ser influenciada por Bert Schnick (Barry Humphries, muito esquisito), o apresentador de um programa chamado "Marriage Maze" a internar Brad em Dentonvale, uma clínica psiquiátrica dentro da cidade-estúdio, e que também é uma especie de Reality-Show.

Enquanto Brad é submetido à terapia forçada, Janet vira uma celebridade e acaba tornando-se egocêntrica e se esquece do marido. Nesse interim, temos Betty Hapschatt (Ruby Wax) e Oliver Wright (Charles Gray, o criminologista de RHPS e Mycroft Holmes na série dos anos 80) que estão dispostos a ajudar Brad a fugir e desvendar a farsa dos médicos de Dentonvale, Dr. Cosmo McKinley (Richard O' Brien) e Nation McKinley (Patricia Quinn), e também divulgar a verdade sobre Farley Flavors, que tem mais a ver com Brad do que qualquer outro.


Como você pode perceber, "Shock Treatment" é uma bagunça. Mas é necessário que se diga: para curtir esse filme, você deve esquecer dos eventos de "The Rocky Horror Picture Show". Nada sobre o incidente do filme anterior é mencionado. Esqueça Transilvanianos e homens travestidos, esta aqui é uma história totalmente independente e nova. Se você se prender na mitologia cativante - e superior - do filme original, vai acabar perdido ou muito puto no final da projeção. As músicas ainda são muito boas e a performance de Brad e Janet por Young e Harper não fazem feio em comparação a Bostwick e Sarandon. Obviamente em algum ponto sentiremos falta da presença do ótimo Tim Curry, mas pelo menos temos O' Brien e Quinn melhores do que nunca como o casal de irmãos-amantes. Cliff de Young se sai melhor como Farley Flavors do que como Brad, e é uma pena que apareça tão pouco durente o filme. Menos interessantes são a infermeira Ansalong (Little Nell) e a outra turma, Ralph Hapschatt (Jeremy Newson, o único reprisando seu papel de RHPS) e Macy (Wendy Raebeck), que só está no filme pra encher linguiça.

Tirando essas poucas inconveniências, "Shock Treatment" vale uma conferida. Um "Double Feature" com Rocky Horror também é bem vindo, mas nada muito além disso. Em termos de qualidade, bizarrice e beleza, Rocky Horror continua imbatível.
                               
                                                         Trailer de "Shock Treatment":
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Shock Treatment (EUA e Inglaterra,1981)
Direção: Jim Sharman
Elenco: Jessica Harper, Cliff de Young, Richard O' Brien, Patricia Quinn, Charles Gray, Little Nell, Ruby Wax, Barry Humphries, Jeremy Newson