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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Howard, O Super-Herói (1986)


Em 1986, filmes baseados em quadrinhos eram difíceis de se ver chegando aos cinemas. Como já disse antes, tirando os filmes do Super-Homem, e um ou outro projeto, as HQs passaram bem longe da telona. Como todo mundo sabe, apenas em 1989, quando o Batman de Tim Burton mostrou que dava pra fazer um filme de HQs que lucrasse e fosse fiel à fonte, o gênero floresceu. E foi no período pró-morcegão que "Howard, O Super Herói" foi produzido, sendo considerado uma aberração e uma vergonha dentro da respeitada filmografia de seu produtor: George Lucas.

Reza a lenda que Lucas era fâ das histórias do pato boca-suja da Marvel Comics, que começaram a ser publicadas em 1975 e terminaram em 1978 (e que depois disso teve mais algumas minisséries e participações especiais nas revistas de outros personagens). Primeiro, pensou-se em fazer uma animação, porém como sempre tem que ir contra a maré - as vezes pro bem e as vezes pro mal - Lucas convenceu a produtora Gloria Katz e o diretor Willard Huyck a produzir o filme em Live-Action, deixando os efeitos especiais por conta de sua Industrial Light and Magic.

Ninguém brinca com o mestre do Quack Fu!

No filme, Howard (interpretado por 6 pessoas diferentes durante o filme), um pato humanóide que reside em Duckworld, acaba sendo trazido à Terra por culpa de um Laser experimental vindo do nosso planeta. Após viajar pelo universo, acaba aterrissando em Cleveland, onde enfrenta a ira de um namorado esquentado e um bando de motoqueiras chamadas "Prostitutas de Satã". Quando os problemas parecem não ter fim, Howard conhece a adorável terráquea Beverly (Lea Thompson, em alta na época por causa de seu papel em "De Volta Para O Futuro"), que torna-se amiga dele após ele meter o cacete em uns caras que queriam violentá-la. Howard conta seu problema, e Beverly diz que conhece alguém que pode ajudá-lo a voltar para casa: o aprendiz de cientista Phil (Tim Robbins pagando o clássico mico de início de carreira), que chama para ajudá-lo o Dr. Walter Jenning (Jeffrey Jones, figura carimbada dos filmes dos anos 80), que supervisionava a experiência que trouxe Howard à Terra por engano.

Ao tentar refazer a experiência, porém, algo sai errado, e o Dr. Jenning começa a sofrer alguns distúrbios. Preocupados, Howard e Beverly fogem com ele. Mais tarde, eles acabam descobrindo que uns seres conhecidos como Mestres Ocultos do Universo estão vindo para dominar a Terra, fazendo moradia no corpo de Jenning. Agora resta a Howard com a ajuda de seus amigos (metidos em muuuitas confusões, como já dizia o narrador da Sessão da Tarde) impedir que os vilões cheguem para dominar tudo.

Repleto de coisas ridículas e piadas ruins, "Howard, O Super-Herói" tornou-se o maior fracasso de 1986 e é uma produção execrada até hoje, embora George Lucas até hoje acredita que o filme no futuro será visto com bons olhos. O prejuízo foi tão grande que Lucas teve que vender a divisão de animação da LucasFilm para poder pagar as contas, o que no fim deu certo para vendedor e comprador, pois o segundo era ninguém menos que Steve Jobs, que depois ajudou Lucas a transformar a antiga divisão de animação na Pixar, a maior empresa de animação do mundo (e hoje, assim como a LucasFilm, é parte da Disney). O filme pecou por não ser tão fiel ao espírito do personagem nas HQs (inéditas no Brasil). Nos quadrinhos criados por Steve Gerber, Howard é bem mais boca-suja, há muito menos de ficção científica e muito de crítica social em suas páginas. Os roteiristas Katz e Huyck optaram por deixar o lado crítico do personagem de lado e entregar mais um filme genérico de aventura, desta vez com o diferencia lde ser estrelado por um ator vestido de pato (Gloria Katz mais tarde respondeu as críticas ruins ao seu filme, dizendo: "É um filme sobre um pato de outro planeta, não é para ser um filme profundo e existencialista"). Mas o maior erro foi não ter feito do filme uma animação, que casaria bem melhor com o estilo do filme e nos pouparia de ter que crer que aquele visível boneco é um pato alienígena; por causa disso, os 6 anões que se fantasiaram de pato acabaram ganhando o Framboesa de Ouro de pior ator.

Inexplicavelmente, o filme hoje tem uma legião de fãs (entre os quais eu envergonhadamente me incluo) que o veem apenas como uma grande piada e um tesouro do que pode ser chamado de "Trash Mainstream". Felizmente, a carreira de nenhum dos envolvidos foi abalada tão drasticamente (Tim Robbins até ganhou um Oscar mais tarde, pelo excelente "Um Sonho de Liberdade"), mas ainda assim é uma mancha negra nas carreiras de todo o elenco e crew. Pior para Lucas, que apenas produziu mas que acabou, quase que sozinho, pagando o pato.

                                                      Trailer de "Howard , O Super-Herói":

Howard The Duck (EUA, 1986)
Direção: Willard Huyck
Elenco: Lea Thompson, Jefrrey Jones, Tim Robbins, Chip Zien, Ed Gale, Paul Guifoyle, Tim Rose, Virginia Capers

terça-feira, 23 de outubro de 2012

The Return Of Captain Invincible (1983)


Gosto de Super-Heróis. Leio gibis desde bem moleque. Até lembro do primeiro gibi que ganhei: uma edição de 1985 da revista Super-Amigos que continha histórias de Batman e uma parte da mini Camelot 3000. Gosto muito de comédias e musicais também. Se você também adora tudo isso, então você precisa assistir essa desconhecida produção australiana chamada "The Return Of Captain Invincible", uma divertida sátira da imagem clássica do Super-Herói, e uma das comédias mais engraçadas que eu já vi, mas que ninguém mais parece ter assistido.


A trama nos apresenta o corajoso Captain Invincible (Alan Arkin, o avô drogadão de "Pequena Miss Sunshine"), um super-herói deliciosamente clichê: correto até o DNA e defensor do American Way Of Life no maior estilo Super-Homem ou Capitão América nos anos 40 (os dois influenciaram a criação deste). Ele fazia sucesso na Segunda Guerra Mundial, quando ajudou a derrubar os Nazistas, porém após o fim da guerra, Captain Invincible foi proibido de atuar em prol da justiça, pois o governo americano o acusou de ter ligação com os comunistas (por causa de sua capa vermelha), voar sem ter licença e de ser uma afronta à moral e aos bons costumes, por usar cueca por cima da calça em público.

Desolado e sem forças para continuar, o herói muda-se para a Austrália, onde permanece no anonimato por 40 anos. Enquanto isso, na América, o terrível vilão Mr. Midnight (Christopher Lee, absurdamente cômico) põe em prática seu grande plano: roubar uma poderosa arma chamada Hypno-Ray e usá-la para dominar o mundo. Após várias ideias de contra-ataque serem negadas, o Presidente dos EUA (Michael Pate, muito engraçado) encontra a única solução: convocar o Captain Invincible novamente para a luta, para que ele possa acabar com os planos do vilão. O problema é que ele agora é um bebum indigente que vaga pelas ruas da Austrália e não voa mais. Para se reintegrar a sociedade e re-assumir seu posto de herói ele conta com a ajuda da oficial Patty Patria (Kate Fitzpatrick).



Com esse plot amalucado, "The Return Of Captain Invincible" é uma ótima comédia musical de super-heróis. Algumas músicas (como a canção dos créditos finais) foram compstas por Richard O' Brien e Richard Hartley, a dupla de The Rocky Horror Picture Show e Shock Treatment, e são de longe as mais inspiradas do filme. Porém a mais engraçada é a cantada pelo presidente, onde ele põe-se a repetir a palavra "Bullshit" um bocado de vezes. A cena é impagável e já mostra o tom escrachado que permeia o filme todo.
Assista ao video abaixo e escute uma bela canção:

Infelizmente, essa pérola divertidíssima continua inédita do Brasil e não parece que deixará de ser, o que é incrível pelos grandes nomes que constam na ficha técnica, como o de Christopher Lee (embora o fato da empresa que bancou o filme ter fechado as portas uma semana depois da estreia ter contribuído para tornar o filme ainda mais inacessível). Pra quem quiser assistir, "The Return Of Captain Invincible" está disponível para download, embora não há legendas em português e nem em qualquer outro idioma (só pra ter uma ideia de como o filme é obscuro, pois existem legendas em português de "Class Of Nuke 'Em High", outro cult classic inédito no Brasil, e igualmente obscuro, pelo menos aqui). Vale a pena correr atrás e rir muito dessa besteira cult.
                             
                                                Trailer de "The Return Of Captain Invincible"


The Return Of Captain Invincible (Austrália, 1983)
Direção: Philippe Mora
Elenco: Alan Arkin, Christopher Lee, Michael Pate, Kate Fitzpatrick, Bill Hunter, Max Cullen, Chris Haywood