quarta-feira, 27 de abril de 2011

Flash Gordon (1980)

Antes de George Lucas alcançar a glória com "Star Wars",em 1977,o gênero Sci-Fi andava muito fora de moda,e não justificava gasto de grana pelos grandes estúdios. O gênero havia sido congelado em carbonite lá nos confins da década de 50,quando o interesse sobre esses filmes diminuiu significamente.Após essa tremenda ressaca,surge "Star Wars",e todos os grandes estúdios voltaram a apostar na Ficção Científica:são dessa época os filmes "O Abismo Negro" e "Jornada Nas Estrelas-O Filme". E até os nossos Trapalhões tiraram uma casquinha desse fenômeno,produzindo a bagaceira "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas",ou como é conhecido lá fora,"Brazillian Star Wars"

 Vendo essa onda toda,o lendário produtor Dino DeLaurentiis resolveu ressucitar um antigo herói das cinesséries espaciais,Flash Gordon,personagem criado por Alex Raymond nos anos 1930,que havia caído no esquecimento. Após descordar da visão de George Lucas para o filme,DeLaurentiisdispensou o cineasta-especula-se-e começou a produção na marra,partindo do roteiro de Lorenzo Semple Jr.

 O filme começa nos mostrando uma expedição rotineira na nave do terrível e impiedoso Imperador Ming (Max von Sydow,o eterno Padre Merrin,de "O Exorcista"),onde seu fiel escudeiro Klytus (Peter Wyngarde)lhe mostar o nosso Planeta Terra. Ao decidir por pura e simples maldade (não se fazem mais vilões como antigamente...)destruir a Terra,começa a interferir na natureza local,causando catástrofes naturais e provocando eclipses.

 Até que conhecemos nosso herói,Flash Gordon (o canastrão Sam J. Jones),um jogador de Futebol Americano,partindo para uma viagem de negócios. Após conhecer a bela agente de viagens Dale Arden (Melody Anderson,de "Os Aventureiros Do Fogo"),um eclipse ocorre e os pilotos do avião particular em que estavam somem misteriosamente.Flash,demosntrando seus dotes de pilotagem aterrisa perto do laboratório onde o cientista Hans Zarkov (Topol) procurava por uma cobaia que pudesse ser lançada ao espaço sideral para investigar o que ele acreditava ser um ataque extraterrestre. Procurando ajuda,Flash e Dale são raptados por Zarkov,porém após tentarem escapar os dois ficam presos no foguete do cientista,acionado acidentalmente e lançando-os ao vácuo.

 Antes que pudessem morrer devido à fata de oxigênio,um vortex estranhamente aberto leva o trio ao Planeta Mongo,um planeta com características parecidas com as da Terra. Ao chegarem,são feitos de prisioneiros pelo exército de Ming,comandado pela General Kala (Mariangela Melato),e descobrem o plano malígno do ditador para conquistar o universo. Após ser livrado da morte pela filha do imperador,a Princesa Aura (Ornella Muti),Flash vai atrás de Dale,Zarkov,Barin (Timothy Dalton) e Vultan (Brian Blessed),para unir forças e dar um fim no malígno governo ditatorial de Ming.

 Lançado em 1980,quase em paralelo com o episódio V de Star Wars,"O Império Contra-Ataca","Flash Gordon" não fez tanto sucesso como DeLaurentiis almejava. Ficou mais conhecido na época por ter a trilha sonora  pomposa produzida pela banda Queen (FLASH! AH-AH!!),no auge da carreira. Com o tempo,o filme foi ganhando uma legião de fãs e virou um clássico Cult pelos seus diálogos memoráveis("Não! As minhocas furadeiras NÃO!")e pelo seu figurino bizarro,embora alguns fãs de Sci-Fi e quadrinhos cultivem um ódio mortal pela produção.



 Embora seja um filme que capta a essência do personagem (demonstrado nos belíssimos créditos iniciais,uma bela homenagem aos quadrinhos clássicos de Alex Raymond),ao final da projeção sempre fica uma sensação de que ainda faltou algo-talvez por isso o filme seja um desses casos de "ame-o ou odeie-o"-,e que "Flash Gordon" poderia ter sido melhor. Triste saber que a continuação prometida no fim do filme ("THE END?") nunca aconteceu (mas,agora com essa onda recente de reboots/remakes,quem sabe Flash Gordon volte as telonas). Mesmo que não seja o filme de herói mais fodão do mundo, "Flash Gordon" vale a pena numa sessão descompromissada com seus amigos cinéfilos fanáticos por quadrinhos e Sci-Fi. E quem sabe,depois de assistí-lo,você queira repetir a dose outras vezes (eu,por exemplo,não me canso de assistir)!
 ****
Flash Gordon (EUA,1980)
 Direção:Mike Hodges
 Elenco: Sam J. Jones,Melody Anderson,Topol,Max von Sydow,Ornella Muti,Timothy Dalton,Braian Blessed,Mariangela Melato,Peter Wyngarde

terça-feira, 29 de março de 2011

A Vingança Das Gárgulas (2004)

O mercado de filmes "Direct-To-DVD" esconde muitas pérolas únicas,sejam de gosto duvidoso ou não.As vezes nos surpreendemos com a arte da capa,levamos o filme e descobrimos se ele é ruim ou não.As vezes,sabemos que o filme é ruim só pela capa,e levamos pela curiosidade.

 Então,cá estava eu,em mais uma noite com os amigos,quando um deles,o @jim_mys,me entrega um filme desses "Direct-To-DVD",chamado "A Vingança Das Gárgulas",e já entregava ser um filme tão ruim que não se conseguia tirar os olhos dele,sequer dar uma pausa para ir ao banheiro.Fui tirar a prova dos 9,e passei pela prova de fogo de assistir "A Vingança Das Gárgulas",um filme que surpreende pela sua tosquice.

 Pra começo de conversa,decici não memorizar quais atpres fizeramquais personagens.O filme é tão ruim que não se faz merecer esse esforço.Vou apenas narrar a história e fazer uma análise rápida sobre a produção.

 Nossa história começa na Romênia antiga,onde acompanhamos uma simpática moça caminhando por aí em uma carroça.Após anoitecer,a moça nota que há algo estranho nos céus:e é a tal Gárgula,uma criatura mitológica que é amiga do Quasímodo. Ao ver a maldita Gárgula,um padre vai a caça da criatura usando uma balista(uma arma parecida com um arco),e atira uma flecha manchada com seu sangue na ponta (o roteiro conta que esse é o modo mais eficiente de matar os bichos). Após matarem a criatura,que abre um imenso buraco no chão ao cair,os populares jogam uma pedra gigante que sabe lá de onde saiu,para impedir que o monstro retorne.

 Eis que então a história nos leva aos tempos de 2004,onde acompanhamos dois agentes da CIA ,que são enviados para Bucareste para prender os bandidos por trás do sequestro do filho do embaixador americano. Após a negociação não sair como o planejado e haver um tiroteio,um dos bandidos é morto por uma Gárgula que passava por lá. Logo depois,os agentes encontram o corpo do bandido,que estava empalado no topo de uma torre de um castelo e suspeitam que o criminoso tenha sido assassino por um membro do fâ-clube satanista do Drácula que existe na cidade (!). Após haver outros desaparecimentos misteriosos de turistas americanos(como dois amigos que são esquecidos depois no filme),eles resolvem investigar quem está por trás de tudo.
 
 Após chegarem na reunião do fã-clube do Drácula e assistirem a uma execução de uma garota ao vivo (!!),os agentesresolvem falar com o líder dos satanistas,conhecido como Lex The Slaughter.Logo depois,um tiroteio entre a gangue de Lex e outra rival ocorre.todos morrem pelas mãos da Gárgula,exceto Lex,que vai para num manicômio,pois acredita ter visto um demônio.Isso leva os agentes da CIA  a investigar esse caso sobrenatural junto com um padre chato,que não quer perder o cargo na igreja e rivaliza com outro padre,que veio tomar seu lugar.Depois,descobre-se que o padre amigo dos agentes é na verdade o malzão da história,que deseja que as Gárgulas voltem a assombrar a humanidade.

 "A Vingança Das Gárgulas" tem tudo o que um filme obscuro de terror "Direct-To-DVD" precisa:Plot ridículo,interpretações idem (destaque para um mulequinho que vê seu professor ser morto pela gárgula e para uma garota babaca que morre num zoológico,ambos em uma belíssima atuação!),efeitos visuias toscos, e furos grosseiros de roteiro (afinal,por que eles não prenderam Lex? Mesmo sendo inocente das mortes,ele decapitou uma garota ao vivo!!!!!). Acabou que me senti mais fraco que o Jimmy,pois cochilei umas duas vezes durante o filme e parei mais duas vezes para ir mijar.Por outro lado, "A Vingança Das Gárgulas" é uma ótima comédia involuntária,de dar inveja a Ed Wood e Roger Corman,pois nem pensando nele como um "filme de terror fraco" dá pra aguentar esse filmeco.Sem falar na facilidade de matar as gárgulas e no ritmo ultra-lento do filme(com apenas 87 minutos de filme,os caras começam a investigar e combater as gárgulas a partir de mais de uma hora de filme!)

 Mas se você quiser assistir,te dou todo o apoio xD

*
 Gargoyle's Revenge (EUA,2004)
 Direção:Jim Wynorski
 Elenco:Michael Paré,Sandra Hess,Fintan McKeown,Kate Orsini

sábado, 26 de março de 2011

Cidade Baixa (2005)

Primeira colaboração do blog,galere!!!!! Esse artigo foi escrito pelo parceiro @andersonjor,originalmente publicado no blog Quando a Barata Voa no ano de 2005,e tenho mó prazer de apresentar esse texto aqui no Cinema Nuts!!!!

 Rapaz, estava eu por aqui me cansando de ver o teu blog sem ser atualizado, quando resolvi escrever minha última ode à recente produção cinematográfica tupiniquim. Para se aborrecer, recomendo o último mega-sucesso-promessa-sumpimpa do cinema brasileiro:Cidade Baixa. E teve gente que achou o máximo. Que melda!
 

 Bom, senta, contrai uma gonorréia no Novo Horizonte* aí perto da tua casa, que lá vem a história. Cara, lembro alguém falando que o Ken Park, do Larry Clark (aquele do Kids), não servia nem pra bater uma punheta. Pois então. O CB é a mesma coisa. A história é a seguinte: dois caras que comem uma puta juntos, se apaixonam por ela e depois brigam pela meretriz. Eles são barqueiros. Ela, como eu já disse, uma puta. Um vira boxeador. O outro assaltante. Ela continua uma puta. E ponto final.

Bom...essa é a história. Acho que o diretor queria mostrar uma Salvador (BA) sem romance. Feia, suja, pobre, marginal. Porém, caraleo, isso já foi feito com outras cidades brasileiras retratadas em filmes como o Amarelo Manga, que mostra Recife bem escrotinha, porém tem uma história bacana pra contar. O fato é que a proposta do CB fica só na proposta, sem história, sem porra nenhuma. Até os bons Lázaro Ramos e Wagner Moura se fodem em suas atuações. O filme é tão ruim que o espectador olha e vê o Zico e o Ezequiel do Carandiru.

A puta, quer dizer, a atriz que faz a puta, é a Alice Braga, aquela sobrinha da Sônia Brega. Não sei o que fizeram com a menina, mas ela está bem escrota nesse filme, comparando com a gostosura dela em Cidade de Deus - Pausa: acho que ela só vai fazer filmes que tenham "Cidade" no título. Vou chamá-la pra atuar no meu mais recente roteiro: "Cidade Nova"**, com patrocínio da prefeitura de Ananindeua.
Penso que ela se esforçou demais pra parecer uma piva rebi-rebi. A atuação dela é tão medíocre quanto dos dois caras, com o agravante da moça parecer mais inexpressiva do que a dupla masculina. O trio acaba fazendo uma série de pseudo-cenas de sexo. Uma hora um come a putinha e o outro espera. Outra hora o outro come a putinha e o primeiro brecha. Outra hora o primeiro come a putinha enquanto o outro está todo estrupiado. Outra hora os dois vão comer a putinha e um desiste. E assim vai... até que uma hora um deles resolve assumir o caso com a vagaba, deixando o outro todo putinho, não no sentido de vender o corpo e sim de ficar bravo, com raiva.

O clima do filme com as cenas de prostíbulos baratos, os tipos escrotos do cais do porto baiano, a briga de galo, as lutas de boxe amadoras, dá a entender que vai terminar com uma morte (pelo menos). Mas, como o diretor deve ser um viadinho covarde, termina o filme com os dois, depois de uma briga de moleque de rua muito da sem graça, sendo amparado pela Karina (a putinha, claro), que chora em cima de uma bacia com água misturada com a groselha saída da cara dos amigos brigões.

Rapaz, ouvi dizer de uns “entendidos” em cinema que esse é mais um bom filme da nova safra no Brasil. Imagina quando começarem a chegar os palhas. Acho que o público no dia em que eu assisti não era dos mais afeitos a arroubos cinéfilos. A maioria ria das cenas e um, na saída da sala escura, resumiu a minha impressão: “égua do filmizinho sem graça!”.

Já não está mais em cartaz, mas está quase para chegar nas locadoras. Se quiser ficar puto, "só te digo vai"***


* Casa da luz vermelha que fica próximo à casa de P. Nazareno, em Belém.
** Grande área de bairros do Município de Ananindeua.
*** Expressão local equivalente ao “você não pode ficar fora dessa

 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Brazil- O Filme (1985)

Imagine um mundo burocrático,onde até as tarefas mais simples de serem executadas precisam primeiro de permissão.Imagine um mundo com governo ineficiente e sempre pronto para a guerra.Um mundo tão terrível que só seja possível de escapar dele sonhando.Muito parecido com o mundo em que vivemos,né não?Pois é exatamente isso que faz de "Brazil",obra-prima de Terry Gilliam,um filme visionário.
 
 O ex-integrante do Monty Python,Terry Gilliam,teve a ideia de  "Brazil" após visitar uma praia de uma cidade industrial,onde tocava a canção que inspirou o nome do filme,"Aquarela do Brasil".Apesar desta história,o mundo do filme até guarda algumas semelhanças com nossa querida pátria:a nossa famosa burocracia e a polícia linha-dura,supostamente uma alusão à ditadura militar,que ainda era vigente na época do lançamento do filme.

No filme,acompanhamos a história de Sam Lowry (Jonathan Pryce,muito foda),um jovem funcionário público sem muitos planos na vida,com uma mãe viciada em cirúrgia plástica que tenta de tudo para que o filho assuma um emprego melhor (Katherine Helmond).Vivendo no meio do inferno burocrático,Sam não vê outro jeito de escapar disso tudo além de sonhar que é um cavaleiro alado em busca de uma linda mulher,ao som da "Aquarela do Brasil".

 A ineficiencia do governo é mostrada ainda nos primeiros minutos de projeção,quando uma autoridade explica que todos os 13 anos de ataques de bombas foram apenas "sorte de principiante",dizendo que o combate aos "terroristas" está tendo êxito (na verdade,a existencia de terroristas nunca é confirmada,supostamente sendo uma desculpa do governo para matar sem levar a culpa),logo após ocorrer uma explosão numa loja de eletrodomésticos.


 Outro detalhe absurdo:um erro ridículo causado por um inseto faz com que uma intimação que deveria ir para o Sr. Tuttle(Robert De Niro),um eletricista perseguido como "subversivo" acaba indo para o Sr.Buttle,um simples pai de família,que acaba torturado pelos homens do governo.

 No meio disso tudo,o patrão de Sam descobre a cagada e recruta o jovem para enviar pessoalmente a indenização à viúva de Buttle.Após ser atacado por um dos filhos da mulher,acaba se deparando com Jill (Kim Greist),uma caminhoneira que também é perseguida pelo governo e que é a cara cuspida e lambida da mulher que aparece nos seus sonhos,e que está ajudando a viúva a se restabelecer.Isso leva o nosso heroi a se envolver na batalha contra o sistema.

 "Brazil" é tecnicamente perfeito.Os delírios visuais de Gilliam,que foram se aprimorando ao passar dos anos-ele era o responsável por aquelas colagens geniais que cortavam as esquetes do Monty Python-deixam o filme ainda mais belo,principalmente nas cenas dos sonhos de Sam,uma mais maluco e belo que o outro.Ao contrário do que muitos dizem por aí,a história da rivalida entre Gilliam e o chefão da Universal na época,Sidney Sheinberg,só tendem a AUMENTAR o interesse pelo filme.Tudo começou quando,após Gilliam entregar o filme prontinho em janeiro de 1985,Sheinberg ordenou a remontagem do material,para torná-lo mais comercial.Isso deixou Gilliam muito puto,e ordenou que retirassem seu nome dos créditos caso a versão de Sheiberg-ridiculamente entitulada "Brazil-Love Conquers All",uma versão de uma hora e meia com final feliz(!)-fosse lançada.

 Felizmente,após toda essa onda o estúdio voltou atrás e lançou uma versão com 10 minutos a  mais,editada por Gilliam,nos EUA(a versão original,com seus gloriosos 142 minutos,foi lançado fora dos EUA).Infelizmente,o filme foi um fracasso de bilheteria,arrecadando apenas 6 milhões de dólares(custou cerca de 15 milhões),mas a recusa da Universal de promover o filme explico o fracasso.Para se ter uma ideia,a estreia oficial de "Brazil" aconteceu em somente um cinema nos EUA.

 Com o passar do tempo,o maravilhoso "Brazil" foi adquirindo um respeitável e merecido status de obra-prima,com todas suas cenas maravilhosas e um dos finais mais surpreendentes do cinema(se você ainda não viu,compre o seu dvd ou vá no youtube,mas VEJA)."Brazil" continua tão atual quanto "Laranja Mecânica",ficando datado em apenas alguns detalhes,com seu aspecto perturbador,claustrofóbico e assustadoramente próximo da realidade.
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Brazil (EUA/Inglaterra.1985)
Direção:Terry Gilliam
Elenco:Jonathan Pryce,Michael Palin,Robert De Niro,Kim Greist,Ian Holm,Bob Hoskins,Katherine Helmond

terça-feira, 15 de março de 2011

Entrevista Nuts:Lloyd Kaufman

Stanley Lloyd Kaufman Jr.,ou apenas Lloyd Kaufman,é um dos nomes mais aclamados do cinema independente. Fundador da Troma Films juntamente do seu parceiro Michael Herz,criou um novo tipo de estética cinematográfica,em que tudo é permitido,usando como lema a frase "Jamais esconda suas ideias,não importa o quão ridículas pareçam ser". Um cara que infelizmente ainda não conseguiu seu reconhecimento na indústria-pelo menos aqui no Brasil(corrigindo à pedido do amigo @MedoB)-,mas que ganha mais fãs a todo instante. Em entrevista concedida via E-Mail para o Cinema Nuts,Lloyd conta de onde veio a ideia de criar a Troma Films e seu mascote o Mickey Mouse do horror,o Vingador Tóxico,e muitas outras coisas.Ah,não quero falar muito,então...toma aí,essa entrevista exclusiva com Lloyd Kaufman,a lenda,aqui no Cinema Nuts!!!!!

Cinema Nuts-Como você teve a idéia de criar a Troma Films?
Lloyd Kaufman-Eu senti que seria uma ótima maneira de começar os nossos filmes do gênero lá fora ... ninguém estava fazendo isso no momento! Quando Michael Herz estava, ele veio a concretizar.
CN-O que você sentiu na sua primeira experiência como diretor?
LK-Alegria, emoção, medo, diarréia ...
CN- Como você teve a idéia de criar Toxie? 
 
 
LK- Achava fascinante o fenômeno "Rato de Academia" nos anos 80 que eu sempre quis fazer um filme sobre ele. Michael Herz e eu criamos a idéia a partir disso!
CN- Qual é o seu filme favorito da saga Toxie?
LK-Escolher um filme favorito da saga Toxie é como me perguntar qual meu filho favorito.Eu poderia te dizer, mas seria uma indelicadeza.
CN-Qual é o seu filme favorito da Troma?
LK-Veja acima!
CN-Como você vê a atual cena independente?
LK-É um lugar solitário, hoje em dia, mas cheio de liberdade artística!
CN-Você conhece o cinema brasileiro? Se sim, quem é o seu filme ou diretor favorito?
LK-Yo no se! Ops ... é Português,não Espanhol...
CN-É verdade que Akiva Goldsman está planejando um remakede The Toxic Avenger com foco na
proteção ambiental? 


LK-Akiva Goldsman está realmente trabalhando no remake Toxie, e tenho certeza que ele vai usar o ângulo da proteção ambiental fortemente.
CN-The Toxic Avenger, Class of Nuke 'High e Poultrygeist são verdadeiros clássicos filmes independentes. No início, você imaginava que os seus filmes teriam essa importância para o cinema independente?
LK-Eu não sabia, mas eu sempre tinha a esperança de fazer um impacto sobre as pessoas que realmente amo o que faço.
CN-Quais são os seus planos futuros para Troma?
LK-Quem sabe onde o futuro pode me levar! No momento, estamos trabalhando para conseguir o quinto roteiro de Toxie.
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 Agradecimentos:Lloyd Kaufman,The Troma Team e Alison Jones,assistente do seu Lloyd Kaufman!
 (:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mestres Do Universo (1987)

                    Houve uma época em que desenhos animados eram legais,tinham heróis imbativeis e de quebra,ainda tinham lição de moral no final.O exemplo mais clássico é "He-Man e os Mestres Do Universo",criado pela Mattel na forma de uma linha de brinquedos feita às pressas para evitar o prejuízo do lançamento da linha baseada no filme do Conan-que não tinha nada de infantil.
             

                   Tudo ia muito bem,o desenho era um sucesso,e tals...qual seria o próximo passo?"Um filme,óbvio",pensara os executivos da Mattel, e então eles venderma os direitos de filmagem para a famigerada dupla de produtores picaretas Menahem Golam e Yoram Globus,os caras que despejavam dezenas de filmes de ação baratos(aqueles com Stallone,Van Damme e Chuck Norris),e sua Cannon Films(ah,eles também cometeram "Superman IV-Em Busca Da Paz").


                  O resultado? Um filme fraquíssimo,muito longe do esperado de uma aventura baseada numa história tão legal como a do heroi de sunga felpuda e cabelo de Pablo do "Qual É A Música?"!

                Na história,o Esqueleto finalmente se apodera do Castelo De Grayskull,enquanto He-Man duela com os capangas do vilão. Não há sinal dos pais de Adam,do Gorpo nem do Gato Guerreiro,e o roteiro nem se dá ao trabalho de explicar o que aconteceu com eles(se morreram ou o que...).
         
                Com Etérnia completamente devasatada,He-Man(o sempre péssimo Dolph Lundgreen),Mentor,Teela e Gwildor(personagem criado para o filme,supostamente substituindo Gorpo) fogem de lá e caem por um acaso na Terra,onde pode estar a chave cósmica,última esperança da galera contra o ossudo.

                 Logo depois,o bombado de Etérnia e sua trupe encontram os namorados terrestres Kevin(Robert Duncan McNeil) e Julie (Courtney Cox,a gatinha morena de "Friends"),que se dispoem a ajudar a turma de Etérnia.Porém o Esqueleto sabe onde está a galera,e manda Homem-Fera e Maligna na frente.Após os capangas levarem uma peia da moda,o vilão decide invadir a Terra com seu exército do mal.
             
                Apesar do filme ser uma onda só,ele não decola.Os diálogos são sofríveis,interpretações idem(com exceção de Frank Langella,como Esqueleto),e a hisória,apesar de ser superficialmente plausível,é muito mal-feita,e só tende a diminuir o interesse pela produção.E se eu te disser que a chave cósmica,única esperança contra o vilão,era a música? Como Kevin tocava(não muito,vale ressaltar),conseguia operar a parada.Pode?

                 A direção de Gary Goddard(em seu único trabalho) é ridícula,para completar a desgraça,mas o filme até que fez um sucessinho na época.Depois disso houveram mais duas tentativas de levar a franquia ao topo novamente:uma nova série,chamada "As Novas Aventuras De He-Man" e um remake da série original.Infelizmente,essas produções só serviram pra uma coisa:fazer com que o filme não pareça tão ruim assim.

               Ainda aqui,pai?Então,se você for assistir "Mestres Do Universo"(ou já viu,não sei),veja até o fim dos créditos,onde o Esqueleto exclama:"EU VOLTAREI!".Nós adoraríamos ver uma nova aventura,mas de preferêrncia,num filme melhor.
                  *
     Masters Of  The Universe(EUA,1987)
     Direção:Gary Goddard
     Elenco:Dolph Lundgreen,Frank Langella,Courtney Cox,Robert Duncan McNeil



           

End Of The Century:The Story Of The Ramones(2002)

                  A obra dos ramones sempre foi subestimada e rejeitada pela maior parte da indústria musical.A última banda da safra original do punk rock à morrer deixou um legado musical muito importante pra história do rock,e é isso que End Of The Century tenta mostrar pro grande público.

                O inspirado documentário da dupla de produtores independentes Michael Gramaglia e Jim Fields não decepciona os fãs:tudo-ou quase tudo-sobre a banda nova-iorquina é mostrado na tela:Desde o humilde começo no palco do CBGB's até a maturidade,tocando em estádios para até 30.000 pessoas.Os depoimentos dos Ramones e de outros artistas deixa tudo mais emocionante.

              Ao contário de muitos documentários musicais,que visam mitificar ainda mais os artistas(como "Let It Be"),"End Of The Century" procura humanizar os Ramones,na tentativa de mostrar que eles eram mais que babacas vestindo jaquetas de couro,o que felizmente funciona,deixando claro o modo de ser de cada um,apresentando suas personalidades:Johnny era o controlador,e uma pessoa difícil de lidar;Joey era o tímido,subestimado pelos demias membros;Dee Dee era o porraloka,visto como um completo inconsequente;Tommy era o porta-voz,a parte inteligente;Marky era o ambicioso;Richie,apesar de esforçado,era tratado como um simples empregado,e C.J. foi a salvação da banda no momento mais difícil.

              Infelizmente,após o fim da banda ,alguns integrantes continuaram com picuínhas e desentendimentos.Johnny e Joey nunca conseguiram se enteder,após o episódio com uma ex-namorada de Joey,e quase todos ficavam desconfortáveis quando perguntados sobre a produção de Phil Spector.Os depoimentos de gente que presenciou brigas,e especialmente o depoimento de C.J.,sobre a uma discussão com Johnny,deixa bem claro como era a convivencia da banda,e não era nada agradável.


             End Of The Century é um documentário forte,divertido,e bem esclarecedor sobre uma das bandas mais fodas do rock.É tão delicado e apaixonado que parece ter sido feito pelo fão número 1 (o que me deixa frustrado ao dizer que não conseguiria fazer melhor). A produção acerta ao seguir os passos de "Gimme Shelter",clássico documentário dos Stones,fazendo rockstars sentirem o peso de suas decisões de uma forma crua,direta,e até cruel.

           E se essa resenha ficou parecendo coisa de fã,tem explicação:Sou fã incondicional de Ramones,e eu,como tantas outras pessoas ao redor do mundop,deixo a dica:o trabalho deles preciso ser redescoberto.

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End Of THe Century(Eua,2002)
Direção:Michael Gramaglia.Jim Fields
Elenco:The Ramones,Danny Fields,Kirk Hammett,Debbie Harry,Joe Strummer,Legs McNeil,Eddie Vedder